Ao longo da evolução, os predadores desenvolveram vários métodos para subjugar suas presas. Chironius flavolineatus é uma das espécies de serpente mais abundantes na Floresta Atlântica Nordestina, mas pouco se sabe sobre sua, história de vida e etologia. No presente trabalho estão sendo realizadas observações sobre o comportamento predatório de 4 indivíduos de C. flavolineatus provenientes do litoral norte da Paraíba. As observações foram realizadas individualmente em um terrário de vidro e gravadas com câmera digital a 20 quadros por segundo. Foram realizadas 29 sessões de observações, totalizando 10 horas e 38 minutos. Como presas estão sendo oferecidos 3 espécies de anuros; Physalaemus cuvieri, Pristimantis ramagii, e Scinax x-signatus. Os animais apresentaram preferência por deferir o bote nas regiões cranial (37,5%) e dorsal (37,5%), e apenas 25% foram deferidas na região posterior. Na maioria das observações a ingestão ocorreu pela região cranial (62%). Trabalhos anteriores sobre C. flavolineatus relatam uma ingestão de presas pela região cranial com mais frequência e há uma concordância de que a região cranial das presas é a mais atingida pelo bote predatório, devido a eficiência na imobilização. Eventualmente o bote pode ocorrer em outro local, quando a presa é inofensiva. Apesar disso, o tempo médio gasto com a ingestão pela região posterior levou 34,1 segundos enquanto a ingestão pela região cranial levou 53,8 segundos. Na natureza, para aumentar as chances de predação, o bote deve visar diretamente a região cranial, aumentando as chances de sucesso da serpente, mesmo que o tempo de ingestão seja maior.