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Cerca de um décimo da superfície terrestre é coberta por montanhas, serras e cordilheiras, excetuando-se a Antártida. Estas formações geológicas que se elevam a partir do nível do mar até mais de 8.000 m de altitude, são responsáveis por abrigar mais de um terço da biodiversidade do planeta. Estas barreiras naturais influenciam desde processos climáticos até biológicos como a diversificação de espécies. Além disso, o relevo acidentado provoca alterações nas biotas em diferentes escalas em consequência de gradientes ambientais, altitudinais e climáticos. Na América do Sul, os conjuntos de montanhas conhecidos como Terras Altas Brasileiras, englobam uma série de regiões montanhosas no Leste do Brasil. Localizadas em porções das regiões sul, sudeste e nordeste, estas serras registram uma rica biodiversidade, resultado de grandes variações na topografia e vegetação, com endemismos elevados para os mais variados grupos de plantas e animais. Dentre estes, os anfíbios anuros estão fortemente associados a essas regiões montanhosas, e figuram entre os vertebrados mais ameaçados do mundo. Contudo, tais complexos serranos raramente são estudados de forma exclusiva e em detalhes, e abordagens baseadas em dados precisos e atualizados sobre a distribuição e taxonomia das espécies são escassos. Aqui, apresentamos pela primeira vez um panorama sobre os anuros de três dos principais complexos serranos do Leste brasileiro: Serra do Mar, Serra da Mantiqueira e Serra do Espinhaço, baseado em dados refinados e obtidos em diferentes fontes. Destacamos os avanços e descobertas mais recentes em relação a seus níveis de diversidade de espécies, endemismo, biogeografia e conservação.
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