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A plataforma continental da Margem Equatorial Brasileira (MEB), especialmente no setor adjacente à foz do rio Amazonas, representa uma área chave para compreender processos sedimentares influenciados pela interação entre aporte fluvial e dinâmica oceânica. Este estudo investigou a influência da pluma do rio Amazonas na composição geoquímica e granulométrica de dois testemunhos sedimentares coletados na plataforma do Amapá, com o objetivo de identificar gradientes espaciais no transporte e deposição de sedimentos. Foram analisados dois testemunhos box corer: o primeiro (MEQ1A-1), com 22 cm de recuperação, foi coletado a 208 m de profundidade nas proximidades da foz do rio Amazonas (Site 1 - 04°58.276' N / 050°28.280' W); o segundo (MEQ7A-1), com 31 cm de recuperação, foi obtido a 290 m de profundidade em área relativamente mais distal (Site 7 - 05°17.244' N / 050°37.964' W). Ambos foram subamostrados a cada 1 cm e analisados por fluorescência de raios-X (XRF) e granulometria por difração a laser em equipamentos do Laboratório Core, no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Para análise por XRF, as amostras foram secas, moídas, peneiradas (<63 µm) e prensadas com bórax, sendo então analisadas no espectrômetro Rigaku Supermini 200. A composição elementar foi avaliada e as razões ln(Ti/Ca) e Fe/K foram levantadas. Para a granulometria, as amostras passaram por remoção de matéria orgânica e descarbonatação, sendo posteriormente analisadas no equipamento Microtrac Bluewave. Os dados granulométricos foram processados com o software GRADISTAT. Os resultados indicaram padrões contrastantes entre os dois sítios. O Site 1 apresentou valores crescentes de ln(Ti/Ca), de aproximadamente -5 na base para -4,5 no topo, além de Fe/K variando entre 6 e 12, sugerindo aumento no aporte terrígeno ao longo do tempo. Esse sítio também exibiu predominância de areia média a fina (>80%), com textura classificada como "muddy sand", distribuição unimodal e boa seleção. Já o Site 7 mostrou valores decrescentes de ln(Ti/Ca) (de -2,7 para -3,4) e Fe/K (de 13 para 4), acompanhados por maior proporção de silte e argila (~25%), indicando ambiente de menor energia e menor influência da pluma. A classificação textural também foi "muddy sand", mas com maior presença de partículas finas e curvas granulométricas mais inclinadas, indicando maior diversidade nos tamanhos. Esses resultados apontam para um gradiente de deposição controlado pela distância em relação à foz do Amazonas, em que a pluma atua como agente modulador da composição sedimentar. O Site 1 representa um ambiente de frente deltaica, com maior energia e aporte continental, enquanto o Site 7 reflete condições prodeltaicas, com menor influência fluvial direta. Os dados integrados revelam que a pluma amazônica exerce papel central na sedimentação regional e que variações em sua intensidade podem estar associadas a oscilações climáticas, como o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical e a variabilidade da Monção Sul-Americana.
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