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As turfeiras de alta altitude nos Andes tropicais constituem arquivos valiosos para o estudo da variabilidade ambiental e da umidade ao longo do tempo. Neste trabalho, apresentamos um registro geoquímico multiproxy obtido a partir de um testemunho de turfa coletado nos Andes centrais do Peru (lat. -13,28; long. -74,51; 4320 m a.n.m.). Foram realizadas análises elementares e isotópicas na turfa total (carbono orgânico total – TOC, nitrogênio total – TN, razão C/N, δ¹³C e δ¹⁵N), juntamente com fluorescência de raios X (XRF), cujos dados foram transformados por meio do método centered log-ratio (CLR) e posteriormente analisados por Análise de Componentes Principais (PCA). Essas abordagens permitiram reconstruir a variabilidade paleoambiental em termos de mudanças na disponibilidade de umidade e nas condições biogeoquímicas ao longo dos últimos ~15 000 anos calibrados antes do presente (cal AP).
Os resultados revelam fases distintas de acúmulo de turfa e de dinâmica da bacia de drenagem. O período 4 (14 800–11 800 cal AP) é caracterizado por alta variabilidade na acumulação de matéria orgânica, com um episódio marcadamente seco por volta de 13 000 cal AP, durante a transição entre o Atlantic Cold Reversal e o Younger Dryas. O período 3 (11 800–6 700 cal AP) apresenta aumento na contribuição de matéria orgânica e condições relativamente estáveis, com baixo aporte detrítico, associado ao Holoceno inicial e médio. O período 2 (6 700–2 500 cal AP) mostra um aumento no influxo detrítico e redução no conteúdo de carbono, indicando uma transição para condições mais secas. Por fim, o período 1 (2 500 cal AP – presente) é marcado por sinais alternados de mobilização de ferro e processos de oxidação, refletindo maior variabilidade hidroclimática durante o Holoceno tardio.
Nossos resultados destacam a sensibilidade das turfeiras tropicais andinas às mudanças hidroclimáticas em escalas de tempo centenárias a milenares, oferecendo novas evidências sobre as respostas ambientais em escala continental nos últimos ~15 000 anos cal AP. Este estudo contribui para uma melhor compreensão de como os ecossistemas de alta montanha na América do Sul responderam à variabilidade climática de longo prazo.
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