UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE GEOQUÍMICO DE PROBABILIDADE DE MINERALIZAÇÃO EM DADOS DE SEDIMENTOS PARA PEGMATITOS LITINÍFEROS: CASO DA PORÇÃO NORTE DA PROVÍNCIA PEGMATÍTICA ORIENTAL DO BRASIL

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Resumo

A Província Pegmatítica Oriental do Brasil (PPOB) abrange uma vasta área territorial, estendendo-se por cerca de 800 km na direção NNE-SSW na parte oriental do estado de Minas Gerais. Na região centro-leste da Bacia do Rio Jequitinhonha, que constitui o maior centro de exploração de lítio do país e faz parte da PPOB, as suítes magmáticas dos tipos S e I são responsáveis pela significativa presença de pegmatitos portadores de lítio, tais como espodumênio, lepidolita, ambligonita e petalita. Esses pegmatitos ricos em lítio geralmente hospedam outros metais potencialmente econômicos, como Sn, Ta, Be, Rb e Cs. Dada a alta demanda e a visibilidade global das commodities de lítio no Brasil, especialmente na PPOB, que detém a maior parte das reservas, é fundamental avaliar o potencial dessa região para novos depósitos de lítio. Portanto, o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) iniciou o levantamento geoquímico de alta densidade por sedimentos de corrente (1 amostra/10 km2) da PPOB com o intuito de fomentar a avaliação do seu potencial e apresentar novos alvos para pegmatitos litiníferos. O presente estudo tem como objetivo utilizar a técnica do índice geoquímico de probabilidade de mineralização (IGPM), baseado na aplicação da análise fatorial (estatística multivariada) em dados geoquímicos de sedimento de corrente na porção norte da PPOB. O primeiro passo foi realizar uma análise exploratória de dados completa para selecionar quais variáveis seriam utilizadas na análise fatorial. Após esse procedimento a análise fatorial foi executada com os dados transformados pela razão logarítmica centrada (CLR), definindo, então, o fator que representa a associação geoquímica para pegmatitos litiníferos (Fator 2, Li-Rb-Cs-K-Be). Com os elementos envolvidos nesse fator, foi realizada uma nova análise fatorial, desta vez com os dados executados com a transformação razão logarítmica isométrica (ILR), dando origem a dois novos fatores: Fator 1 (Li-Cs-K) e Fator 2 (Be-Rb). Os escores destes fatores foram, então, “fuzzificados” (colocando os valores entre 0 e 1), gerando dois mapas de IGPM. Os dois mapas de IGPM mostram potenciais microbacias de drenagem com ocorrência de mineralização aurífera, segundo suas associações geoquímicas. Em um terceiro procedimento, através de operadores booleanos “E” e “OU” (critérios condicionais), houve uma integração dos mapas de IGPM das duas associações considerando os valores ≥ 95% dos mapas, para, enfim, configurar um mapa final de IGPM para pegmatitos litiníferos. O resultado foi altamente satisfatório, mostrando microbacias de drenagem com altos valores de IGPM coincidentes com a localização dos principais corpos pegmatitos registrados na região. O método de validação utilizado para este modelo, a matriz de confusão (ground-truth validation) mostrou resultado satisfatório, com acurácia total de > 75%. Este processamento pode ser utilizado para qualquer tipo de mineralização, além de ser bastante útil para trabalhos de cunho ambiental.

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Instituições
  • 1 Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM)
Eixo Temático
  • ST-02 - Geoquímica em Sistemas Minerais/minérios
Palavras-chave
MAPEAMENTO GEOQUÍMICO
SEDIMENTO
ESTATÍSTICA MULTIVARIADA