ÚLTIMO MÁXIMO GLACIAL DO PLEISTOCENO E TRANSIÇÃO DO MÁXIMO TÉRMICO DO HOLOCENO NA PLATAFORMA CONTINENTAL SUDESTE BRASILEIRA: ECOSISTEMA MESOFOTICO

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Resumo

Introdução e objetivos: Os registros mais abrangentes de mudanças paleoambientais e paleoceanográficas durante a transição Pleistoceno-Holoceno no Atlântico centro-ocidental são encontrados na interface da plataforma marinha ao longo dos 7.941 km da costa brasileira (4°23′ N e 33°44′ S). Essas transições, particularmente registradas durante o Último Máximo Glacial (LGM) e o subsequente estágio interglacial no Máximo Térmico do Holoceno (HTM), até o Antropoceno resultaram em mudanças significativas na dinâmica dos sedimentos e na produtividade biológica. Éste estudo tem como objetivo investigar as estruturas sedimentares do assoalho marinho na plataforma sudeste do Brasil (Cabo Frio, Bacia de Campos), e na sequencia as formações recifais características de um sistema mesofótico a fim de reconstruir as mudanças paleoambientais e paleoceanográficas durante o LGM, e interpretar as variações climáticas e oceanográficas em ambientes tropicais de baixa latitude.

Método: Para este estudo, amostras de rochas carbonáticas-siliciclásticas (pakstone) foram coletadas em profundidades entre 60–90 m na plataforma de Cabo Frio por meio de mergulho. As amostras de rochas foram analisadas seguindo as seguintes metodologias: i) Analises petrográficos das seções finas; ii) porosidade, analises de seções digitais e volumetria 3D por microtomografia computorizada (Micro-CT); iii) Caracterização mineral por Difratometria de Raios X (DRX); iv) Quantificação mineral por Fluorescência de raios X (XRF) e v) Idade por Radiocarbono (14C).

Resultados: a rocha da plataforma interna de Cabo Frio analisada representa uma amostra de rocha que apresenta na sua superfície incrustações de   epifauna (vermetidsos, bryozoarios,  serpulidos, foraminíferios bentônicos, moluscos e restos de algas calcáreas). As analisese petrofraficas mostra uma rocha carbonática-siliciclástica (packstone) de alta porosidade e permeabilidade, caracaterizada pela presença de micro e macroalgas algas coralinas, foraminíferos bentônicos e planctoônicos, briozoários e cracas emabundância.

A tomografia matricial revelou uma alta diversidade de bioclastos fragmentados incluindo invertebrados (moluscos, cirrípedes e crustáceos) e vertebrados (dentículos dérmicos de tubarões Ginglymostomatidae e ossos de peixes Ariidae). A caracterização mineral da rocha por difração de raios X estão constituídas por uma mistura de calcita (carbonato de cálcio), quartzo, aragonita, microclina e anortita, com uma composição química primária (CaO/SiO2 = 2,0; CaO/MgO = 137,3).

Conclusão: Os processos sedimentares de cimentação diagenética inicial subaérea formaram as feições siliciclásticas-carbonáticas do assoalho oceânico e apresentam idades do Pleistoceno (30.415–29.840 cal AP). Essas feições corroboram com a geocronologia e a geomorfologia do assoalho oceânico durante o LGM resultantes dos efeitos combinados de processos físico-químicos e biológicos, em um ambiente deposicional de alta energia em águas rasas na porção superior da zona fótica com a relativa abundância de conchas de cracas o que sustenta a proveniência costeira de detritos. Nossas descobertas contribuem para a compreensão dos processos sedimentares envolvidos em recifes mesofóticos heterozoários em ambientes tropicais de baixa latitude durante o LGM destacando a importância de integrar este conjunto de dados para reconstruir ambientes marinhos passados.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal Fluminense
Eixo Temático
  • ST-03 - Paleoambiente, Paleoclima e Biogeoquímica
Palavras-chave
PALEOAMBIENTE
PACKSTONE
ATLÂNTICO SUDOESTE