QUANTIFICAÇÃO DA FRAÇÃO LÁBIL DE FERRO (Fe2+ e Fe3+) EM TERRA PRETA (TPA) AMAZÔNICA E ARGISSOLO ADJACENTE UTILIZANDO ESPECTROSCOPIA ULTRAVIOLETA-VISÍVEL (UV-VIS)

- 328867
Resumo regular (Pôster)
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

As Terras Pretas Amazônicas (TPAs) são solos antrópicos de alta fertilidade, com acidez moderada, elevada matéria orgânica, nutrientes e presença de artefatos arqueológicos. Entre os elementos essenciais à dinâmica nutricional desses solos, destaca-se o ferro (Fe), cuja ocorrência em formas lábeis, disponíveis e nanoparticuladas tem sido apontada como uma possibilidade relevante. Estudos sugerem que o Fe pode estar associado à retenção de fósforo e à estabilidade da matéria orgânica. Este trabalho teve como objetivo quantificar a fração lábil de Fe em TPAs e em um Argissolo adjacente, empregando espectrofotometria UV-Vis como abordagem alternativa, para determinar o Fe²⁺ e o Fe³⁺ presentes em solução sobrenadante.

As amostras foram coletadas na Embrapa Amazônia Ocidental (Iranduba–AM), secas à temperatura ambiente e peneiradas (<2 mm). O preparo consistiu na adição de 0,5 g de solo em 10 mL de água Milli-Q, seguida de ultrassonicação por 30 minutos. Após 24 horas de decantação, o sobrenadante foi extraído. Alíquotas reagiram com 1,10-fenantrolina, formando um complexo alaranjado com Fe²⁺, mensurado por UV-Vis. Em outras alíquotas, o uso de hidroxilamina converteu o Fe³⁺ em Fe²⁺, permitindo a quantificação do Fe total. O Fe³⁺ foi calculado por diferença entre os dois resultados. As concentrações foram determinadas a partir de curvas de calibração com padrões de Fe²⁺ e Fe total.

Os resultados revelaram diferenças significativas entre os solos. As TPAs apresentaram concentrações ajustadas de Fe²⁺ mais elevadas, com destaque para os horizontes de 0–10 cm (0,0293 mg/L) e 50–60 cm (0,0868 mg/L). No Argissolo adjacente, valores elevados de Fe²⁺ foram observados apenas na camada superficial (0,1371 mg/L), com forte decréscimo em profundidade. As concentrações de ferro total foram sistematicamente superiores nas TPAs, com pico de 0,0969 mg/L (50–60 cm), enquanto no La os valores foram mais irregulares e, em alguns casos, inferiores. A fração de Fe³⁺ foi baixa em todas as amostras, variando de zero a 0,0138 mg/L, sugerindo predominância de Fe²⁺ nas soluções.

Em média, as TPAs apresentaram maior e mais estável disponibilidade de Fe²⁺ e Fe total ao longo dos perfis, indicando possível associação com nanopartículas ou complexação orgânica. Considerando que o Argissolo adjacente é naturalmente rico em ferro, a menor concentração lábil pode indicar mecanismos de transporte ou lixiviação mais ativos, impedindo o acúmulo da forma biodisponível do elemento. Já nas TPAs, a preservação de formas lábeis pode estar relacionada à estabilidade físico-química promovida pela atividade antrópica histórica.

Conclui-se que a metodologia aplicada foi eficaz para detectar e quantificar o ferro lábil em diferentes estados de oxidação. Os dados obtidos fornecem subsídios importantes para a caracterização geoquímica de solos amazônicos e indicam potencial dessa abordagem na compreensão da fertilidade e resiliência das TPAs.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 Universidade de Brasília - Unb
  • 2 Instituto de Química, Universidade de Brasília
  • 3 Universidade de Brasília
Eixo Temático
  • ST-05 - Hidrogeoquímica, geoquímica de solos e contaminação
Palavras-chave
TERRA PRETA AMAZÔNICA
FERRO
FRAÇÃO LÁBIL
NANOPARTÍCULAS
UV-VIS