POTENCIAL DA EXTRAÇÃO COM OXALATO DE AMÔNIO ÁCIDO PARA ESTUDOS FORENSES EM SOLOS DA BAIXADA FLUMINENSE (RJ)

- 328512
Resumo regular (Oral)
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

A Baixada Fluminense, localizada na região metropolitana do Rio de Janeiro, é historicamente marcada por elevados índices de criminalidade e baixa taxa de resolução de crimes. Nesse contexto, os solos, devido à sua capacidade de agregação e transporte, constituem ferramentas valiosas em investigações criminais pelo seu potencial para atuar como vestígios e evidências, fornecendo indícios espaciais. Entretanto a mineralogia deles é muito similar. Nesse contexto extrações químicas, como a realizada com oxalato de amônio ácido (OA) (solubilização de compostos amorfos de Fe Al e Si), podem ser empregadas   para a quantificação de um amplo conjunto de variáveis e a descrição de um perfil geoquímico mais específico dos solos. Dessa forma, esse trabalho tem como objetivo analisar amostras da fração fina (< 63 µm) do topo do solo, antes e após a extração com oxalato de amônio, visando estabelecer parâmetros capazes de discriminar solos forenses.

Foram selecionadas 20 amostras de solo da fração fina, coletadas no município de Nova Iguaçu. As amostras foram tratadas com (H2O2 a 30%) para remoção da matéria orgânica e a fração fina foi obtida por peneiramento (< 63 µm). Cada amostra foi submetida à extração com solução de OA 0,2 M (pH ~3), com o peso medido antes e após a extração. As seguintes análises foram realizadas antes e depois da extração: FTIR-ATR (Espectroscopia no Infravermelho) (4000 a 500 cm-1); DRX (Difração de Raios X), com análise qualitativa e quantitativa pelo método de Rietveld; e análise geoquímica total em FRX (Fluorescência de Raios X). A estatística básica e multivariada foi realizada com o programa PAST 4.17.

Na fração fina das amostras, a caulinita foi o mineral predominante, com uma média de (68% ±7%). Na composição geoquímica total, os principais constituintes foram SiO₂ (52% ±6%), Al₂O₃ (32% ± 4%) e Fe₂O₃ (10% ± 3%). A comparação entre os dados mineralógicos antes e após a extração não revelou diferenças. Após a extração, foi removido em média 8% (5-17%) de material amorfo (MA) das amostras A análise dos espectros normalizados de FTIR revelou diferenças significativas na intensidade dos picos, amostras com altos teores de MA apresentaram alteração nos picos 790 (vibração da OH relacionada ao Fe), 910 (vibração da OH relacionada ao Al), 1026 (estiramento Si-O) e 1114 cm⁻¹ (vibração da sílica amorfa) após extração. A banda em 1000 cm⁻¹, relacionada ao modo vibracional da rede cristalina Si-O-Si, permaneceu inalterada.  Nas amostras com maiores concentrações de MA, observou-se, antes da extração, um pico em 850 cm⁻¹, provavelmente associado às ligações cruzadas entre P e Fe. Isso sugere que o P está aparentemente adsorvido na superfície do MA, especialmente de Fe, que foi o elemento mais extraído.

A aplicação da extração química com OA não apresentou variações suficientemente sensíveis para permitir uma diferenciação mineral e geoquímica entre os solos. Entretanto, a análise integrada entre a extração OA e FTIR mostrou potencial para uso como ferramenta forense para discriminação de solos com diferentes quantidades e tipos de materiais amorfos.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 UFF (Universidade Federal Fluminense)
  • 2 UFC (Universidade Federal do Ceará)
Eixo Temático
  • ST-07 - Geoquímica Forense e Médica
Palavras-chave
FERRO
AMORFO
FTIR