Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Introdução
O Arco Magmático Rio Doce (ou Supersuíte G1), no Sistema Orogênico Araçuaí-Ribeira (SE-Brasil), se desenvolveu a partir da subducção da paleoplaca São Francisco sob a paleoplaca Paraíba do Sul-Embu nos processos de acresção e colagem do Gondwana Ocidental (Tedeschi et al., 2016; Corrales et al., 2020; Soares et al., 2020; Pereira et al., 2023; Heilbron et al., 2025; e referências). É constituído por ortognaisses, metagranitoides e metagabros cristalizados entre 630 e 580 Ma e que remetem à uma típica suíte cálcio-alcalina expandida de um arco magmático continental (Heilbron et al., 2013, 2025; Tedeschi et al., 2016). Entre 605 e 580 Ma, contudo, intervalo de tempo que se sobrepõe com idades de metamorfismo regional na placa inferior, é observada uma diversificação de magmas no Arco Magmático Rio Doce (Corrales et al., 2020; Heilbron et al., 2025), processo ainda pouco abordado na literatura. Neste contexto, este trabalho caracteriza as diferentes faciologias do Arco Magmático Rio Doce no sul do estado do Espírito Santo a partir de novos dados de campo, petrografia, litogeoquímica e isótopos de Nd e Sr e geocronologia U-Pb em zircão, ao mesmo tempo em que investiga esta diversidade de magmas entre 610-580 Ma por meio de modelagem geoquímica e isotópica.
Método
O processamento das amostras (i.e., laminação, pulverização e concentração de minerais densos) foi realizada no Laboratório Geológico de Preparação de Amostras (LGPA/UERJ). As análises de litogeoquímica foram realizadas por meio de ICP-MS e ICP-OES no ActLabs (Ontário, Canadá). As análises isotópicas de Nd e Sr foram realizadas em espectrômetro de massas por ionização térmica (TIMS) TRITON ThermoFinnigan, do Laboratório de Geocronologia e Isótopos Radiogênicos (LAGIR/UERJ). As análises de geocronologia U-Pb em zircão, por sua vez, foram realizadas por LA-Q-ICP-MS Agilent 8900, da University of Portsmouth (UK).
Resultados e Discussão
Os dados de campo e petrografia permitem o reconhecimento e a caracterização de seis litotipos principais onde até então são cartografadas rochas do Arco Magmático Rio Doce: (I) Ortognaisses migmatíticos com enclaves máficos e ultramáficos; (II) Opx-metagranodioritos e Opx-metaquartzo-dioritos; (III) Metagabrodioritos; (IV) All-Grt-metassienogranitos; (V) (Opx)-Grt-metagranodioritos; e (VI) Hbl-Bt ortognaisses. As principais características de cada um destes litotipos são apresentadas na Tabela 01.
Os dados de litogeoquímica e as composições isotópicas de Nd e Sr, combinados aos dados de campo e petrografia, evidenciam múltiplas fontes para os magmas correspondentes a estes diferentes litotipos. Desta forma, são reconhecidos magmas derivados do manto (litotipo II), e magmas crustais tipo I (litotipos I, e VI), tipo S (litotipo V) e tipo A (litotipo IV), além de magmas máficos com afinidade IAT- Island Arc Tholeiite e OIB- Ocean Island Basalt (litotipo III).
Os dados de geocronologia U-Pb em zircão mostram idades de cristalização entre 607 e 581 Ma, com ampla sobreposição de idades pra maioria dos litotipos descritos: os litotipos (I) e (II) são os mais velhos (com cristalização entre 607 e 604 Ma), e também os únicos a registrarem idades metamórficas (entre 587e 582 Ma); na sequência tiveram a sua cristalização os litotipos (III)- entre 595 e 581 Ma, (IV)- em 592 ± 3 Ma, (V)- em 589 ± 3 Ma, e (VI)- entre 586-584 Ma. Os dados de geocronologia mostram ainda múltiplas populações de cristais de zircão herdados e/ou xenocristais, com idades que variam do Mesoarqueano (~3,03 Ga) ao Ediacarano (~600 Ma), sendo notável a presença de cristais com idades paleoproterozoicas (~2,1-2,0 Ga) e tonianas-criogenianas (~785-640 Ma). As composições isotópicas de Nd e Sr em rocha total, por sua vez, revelam εNdi francamente negativo (entre -5,5 e -12,9) para todos os litotipos estudados, e 87Sr/86Sri amplamente variável (entre 0,7092 e 0,7771).
Resultados preliminares de modelagem isotópica por mistura Nd-Sr e Nd-Nd (equação de Langmuir et al., 1978) sugerem que as assinaturas destas rochas podem ser o produto da mistura em diferentes proporções de ao menos quatro componentes (end-members): A- o manto enriquecido; B- rochas do embasamento paleoproterozoico (os complexos Quirino e Pocrane); C- rochas das raízes do próprio arco magmático Rio Doce; e D- rochas metassedimentares.
Conclusões
Conclui-se que a diversificação do magmatismo no arco Rio Doce entre 610 e 580 Ma possa estar relacionada à dinâmica do estágio final de construção do arco magmático e à reciclagem crustal associada à colisão deste sistema de arco cordilheirano com a margem do Paleocontinente São Francisco.
Agradecimentos
SM agradece à FAPERJ (n° E-26/201.499/2022) e ao CNPq (n° 200027/2023-9) pelas bolsas de doutorado e doutorado sanduiche, respectivamente. MH agrade à FAPERJ pelo fomento através do Programa de Apoio a Projetos Temáticos no Estado do Rio de Janeiro (n° E_28/2021), e ao CNPq através do INCT GeoAtlantico (n° 405653/2022-0).
Referencias
Corrales, F.F.P., Dussin, I.A., Heilbron, M., Bruno, H., Bersan, S., Valeriano, C.M., Pedrosa-Soares, A.C., Tedeschi, M., 2020. Coeval high Ba-Sr arc-related and OIB Neoproterozoic rocks linking pre-collisional magmatism of the Ribeira and Araçuaí orogenic belts, SE-Brazil. Precambrian Res., 337, 105476. https://doi.org/10.1016/j.precamres.2019.105476.
Heilbron, M., Janasi, V., Araújo, C.S., Peixoto, C., Toledo, B.B., Santiago, R., Mauri, S., Alves, A., Caxito, F., Tupinambá, M., Decol, J., Lobato, M., Corrales, F., Bruno, H., Pedrosa-Soares, A.C. 2025. Neoproterozoic magmatic arcs of the Araçuaí-Ribeira Orogenic System (AROS), Brazil. J. South Am. Earth Sci., 151, 105400. https://doi.org/10.1016/j.jsames.2025.105400.
Heilbron, M., Tupinambá, M., Valeriano, C.M., Armstrong, R., Silva, L.G.E., Melo, R.S., Simonetti, A., Pedrosa-Soares, A.C., Machado, N., 2013. The Serra da Bolivia Complex: The record of a new Neoproterozoic arc-related unit at Ribeira belt. Precambrian Res., 238, 158-175. https://doi.org/10.1016/j.precamres.2013.09.014.
Langmuir, C.H., Vocke Jr, R.D., Hanson, G.N., Hart, S.R., 1978. A general mixing equation with applications to Icelandic basalts. Earth Planet. Sci. Lett., 37(3), 380-392. https://doi.org/10.1016/0012-821X(78)90053-5.
Pereira, V.H.M., Mendes, J.C., Carvalho, M.Q.T., Coelho, V.S.A., Medeiros, S.R., Valeriano, C.M., 2023. Petrogenesis of Estrela Granitoid and implications for the evolution of the Rio Doce Magmatic Arc: Araçuaí-Ribeira orogenic system, SE Brazil. J. South Am. Earth Sci., 126, 104337. https://doi.org/10.1016/j.jsames.2023.104337.
Soares, C., Queiroga, G., Pedrosa-Soares, A., Gouvêa, L.P., Valeriano, C.M., Melo, M.G., Marques, R., Delício, R., 2020. The Ediacaran Rio Doce magmatic arc in the Araçuaí-Ribeira boundary sector, southeast Brazil: lithochemistry and isotopic (Sm–Nd and Sr) signatures. J. South Am. Earth Sci., 104, 102880. https://doi.org/10.1016/j.jsames.2020.102880.
Tedeschi, M., Novo, T., Pedrosa-Soares, A., Dussin, I., Tassinari, C., Silva, L.C., Gonçalves, L., Alkmim, F., Lana, C., Figueiredo, C., Dantas, E., Medeiros, S., De Campos, C., Corrales, F., Heilbron, M., 2016. The Ediacaran Rio Doce magmatic arc revisited (Araçuaí-Ribeira orogenic system, SE Brazil). J. South Am. Earth Sci., 68, 167–186. https://doi.org/10.1016/j.jsames.2015.11.011.
Whitney, D.L., Evans, B.W., 2010. Abbreviations for names of rock-forming minerals. Am. Min., 95(1), 185–187. https://doi.org/10.2138/am.2010.3371.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo