IMPLEMENTAÇÃO E APRIMORAMENTO DO USO DE BIFLUORETO DE AMÔNIO PARA DETERMINAR ELEMENTOS TRAÇO POR ICP-MS

- 328619
Resumo regular (Pôster)
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Frações mássicas de elementos traço, incluindo os elementos terras raras (ETR), em amostras geológicas retêm a assinatura de processos primários e não são normalmente modificadas por processos secundários. Assim, sua determinação acurada e precisa é essencial para aplicações em, por exemplo, petrogênese, metamorfismo e tectônica. Os minerais acessórios são os principais repositórios desses elementos. No entanto, suas propriedades físicas os tornam resistentes à dissolução completa, o que torna a obtenção dessas concentrações um desafio analítico. A digestão total de amostras contendo tais fases minerais é normalmente realizada por meio de ataques ácidos em bombas de PTFE seladas, em temperaturas superiores a 160 °C. Este trabalho tem como objetivo a implementação e otimização de uma rotina analítica para a determinação de elementos traço por ICP-MS, utilizando bifluoreto de amônio (NH4HF2), um reagente sólido com alta temperatura de ebulição (239 °C), aplicado tanto em digestão quanto em fusão. Foram utilizadas amostras dos materiais de referência BHVO-2, BRP-1 e GSP-2, que representam diferentes teores naturais de SiO2. Foram pesados 50 mg de cada material de referência e 200 mg de NH4HF2 diretamente em cadinhos de platina. Os cadinhos foram aquecidos a 230 °C em mufla por 3 horas, com rampa de aquecimento de 10 °C por minuto. Após resfriamento, foram reaquecidos a 400 °C por 30 minutos. O material resultante foi transferido para frascos de PTFE, aos quais foram adicionados 2 mL de HNO3. Os frascos foram selados e colocados em chapa aquecedora a 160 °C por 1 hora. Em seguida, os recipientes foram abertos e o conteúdo foi mantido na chapa a 160 °C, até a secagem completa. O resíduo seco foi homogeneizado com 1 mL de água ultrapura Milli-Q e 1 mL de HNO3. Os frascos foram novamente fechados e reaquecidos a 120 °C até a obtenção de uma solução incolor. Foram então adicionados 0,125 mL de uma solução de 115In a 100 µg.L⁻¹ como padrão interno. A solução final foi diluída gravimetricamente para 100 g em HNO3 a 2% (v/v) e analisada por ICP-MS. Foram determinados 17 elementos, incluindo os HFSE e ETR. As recuperações da maioria dos analitos ficaram entre 90% e 95%. As exceções foram Tb, Tm e Ce, que apresentaram desvios de até 15% em relação aos valores de referência. Pequenas variações nos tempos de reação, temperatura e massas dos reagentes foram avaliadas. Destaca-se que o agrupamento de etapas de evaporação resultou em acréscimos de até 5% na recuperação. As diferenças observadas estão associadas à formação de espécies voláteis. A metodologia proposta foi eficaz na digestão completa dos materiais de referência, minimizando contaminações externas devido ao uso de sistemas fechados. Novos testes estão em andamento para melhorar recuperação, otimizar rampa de aquecimento para minimizar volatização, além da utilização de outros materiais de referência, incluindo minérios, para validar a metodologia. Considerando a praticidade de manuseio e o baixo custo do NH4HF2, sua aplicação em novas metodologias é promissora e pode se tornar uma alternativa viável para a determinação de elementos traço em rotinas laboratoriais.

 

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 Universidade de Brasília
  • 2 Instituto de Geociências, Universidade de Brasília
  • 3 Instituto de Química, Universidade de Brasília
Eixo Temático
  • ST-10 - Inovações em Técnicas Analíticas
Palavras-chave
ICP-MS
BIFLUORETO DE AMÔNIO
ELEMENTOS TRAÇO
METODOLOGIA