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Resumo

Introdução e objetivos: Manguezais são ecossistemas estuarinos que prestam importantes serviços ecossistêmicos, porém sofrem crescente pressão antrópica devido a atividades como desmatamento e urbanização. Sensíveis a variações ambientais, atuam como bioindicadores de metais pesados (Hg, Pb, Cd, Cu, Ni), cuja dinâmica depende da matéria orgânica, teor de argila e condições redox. Em ambientes redutores, o enxofre retém esses metais, reduzindo sua biodisponibilidade, enquanto em ambientes oxidantes ocorre sua liberação. Este estudo avalia o impacto da fragmentação pela Av. Jabaquara na concentração de metais em solos de mangue, considerando a influência do enxofre e de variáveis topográficas e abióticas.

 

Método: Em Paraty-RJ, amostragens foram realizadas em duas áreas de manguezal: proximal, com influência direta das marés, e distal, isolada por infraestrutura viária e alimentada por canais. Em cada área, cinco parcelas de 100m² foram estabelecidas. Foram coletadas triplicatas de solo superficial (0–15 cm) e água intersticial para análises físico-químicas na Universidade Federal Fluminense, incluindo salinidade (refratômetro), Eh e pH (IQ Scientific Instruments IQ150), granulometria (CILAS 1064, difração a laser), enxofre (LECO® SC832DR) e metais (EPA 3050B, espectrofotômetro de absorção atômica). Aplicou-se o teste estatístico U de Mann-Whitney (p < 0,05) no software PAST 2.1. A topografia foi obtida por levantamento com estação total, e as inundações foram calculadas por modelagem de marés no software PACMARE. 

 

Resultados: Na área proximal, o pH ácido (4,98) e o ambiente subóxico (Eh = 119,8 mV) favorecem a disponibilidade de metais pesados (Cu = 14,2; Pb = 20,7; Ni = 19,1 mg/kg), dificultando sua imobilização por sulfetos, mesmo com alto teor de silte e argila (90%). A acidez reduz a adsorção por matéria orgânica e argila, enquanto a salinidade elevada (14‰) intensifica a competição iônica, liberando metais na água intersticial. Apesar da maior diversidade vegetal, a baixa frequência de alagamento (média de 4% ao ano), aliada aos baixos teores de matéria orgânica e enxofre total (0,4%), limita a atividade bacteriana redutora, mantendo os metais em formas solúveis e instáveis. A estrada pode restringir a dispersão de sedimentos, favorecendo o acúmulo de metais na área proximal. Parâmetros como umidade, argila, metais e enxofre total diferiram significativamente entre as áreas. Na área distal, o alagamento frequente (até 83% do ano), a alta umidade (70%) e o maior teor de enxofre (2,5%) favorecem a formação de sulfetos metálicos, imobilizando metais (Cu = 10,2; Pb = 14,6; Ni = 14,0 mg/kg) e reduzindo sua toxicidade. Mesmo com Eh oxidante (136,1 mV), os alagamentos criam microambientes redutores, e a baixa salinidade (8‰) contribui para maior retenção de metais pesados, caracterizando um ambiente mais eficiente na estabilização de contaminantes.


Conclusão: Alterações antrópicas no regime hidrológico impactam diretamente a dinâmica de alagamento, a dispersão de sedimentos e a retenção de contaminantes nos manguezais. Em Paraty, a barreira imposta pela estrada no manguezal proximal tem elevado a cota topográfica local, reduzindo a área de alagamentos e, logo, limitando a formação de sulfetos metálicos, devido ao ambiente mais oxidante e ao menor teor de enxofre. Essas condições favorecem o acúmulo e a mobilização de metais pesados no sedimento. Compreender processos geoquímicos é essencial para avaliar contaminação em áreas fragmentadas.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal Fluminense
  • 2 PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM GEOCIÊNCIAS (GEOQUÍMICA), UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF
  • 3 Departamento de Geoquímica, Universidade Federal Fluminense UFF, Instituto de Química, Niterói - RJ, Brasil
  • 4 Departamento de Engenharia de Agronegócio, Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental (UFF)
  • 5 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Eixo Temático
  • ST-05 - Hidrogeoquímica, geoquímica de solos e contaminação
Palavras-chave
AMBIENTE COSTEIRO
CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL
DEPOSIÇÃO DE METAIS
FRAGMENTOS FLORESTAIS
MATA ATLÂNTICA