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Introdução
Manguezais são considerados ecossistemas de carbono azul, envolvidos no sequestro de dióxido de carbono (CO2) atmosférico. Entretanto, sua degradação pode transformá-los em fontes de CO2. Ainda que estes ambientes sejam amplamente estudados, há lacunas no estudo dos fluxos verticais, sendo os processos de remineralização de matéria orgânica as principais vias de produção de CO2, que resultam em fluxos na interface solo-ar e água-ar. Para melhor entendimento sobre a dinâmica de emissão de CO2, este estudo compara os fluxos de CO2 para a atmosfera na interface solo-ar e água-ar em manguezais brasileiros com diferentes vegetações e regimes de maré. Plantas do gênero Avicennia e Laguncularia possuem pneumatóforos, que podem afetar positivamente os fluxos do solo, enquanto as do gênero Rhizophora não possuem.
Método
As coletas foram realizadas em maio de 2025. Um dos locais foi o Saco do Mamanguá, em Paraty (RJ), um ambiente preservado na Baía de Ilha Grande, com regime de micromaré e vegetação dominada por Avicennia schaueriana na franja e Rhizophora mangle no interior. O outro local foi o estuário do Rio Marapanim (PA), que faz parte da maior faixa contínua de manguezais do mundo, com regime de macromaré e floresta mista de Rhizophora spp. com Avicennia germinans isoladas no interior e Laguncularia racemosa apenas na franja. Para determinar os fluxos de CO2, utilizaram-se câmaras estáticas para a interface solo-ar e flutuantes para a interface água-ar, conectadas com um detector Li-COR LI-830, assim como foi medida a temperatura do ar para as estimativas de fluxos. A densidade de pneumatóforos foi estimada por contagem do seu número dentro da área ocupada por cada câmara estática.
Resultados
Em Marapanim, a densidade de pneumatóforos (0 a 404 por m2) esteve correlacionada com maiores emissões de CO2 do solo (r = 0,55; p <0,05), mas não em Paraty (0 a 352 por m2). Os fluxos das câmaras estáticas em pontos com pneumatóforos foram 92,62 ± 37,02 mmol.m-2.d-1 em Paraty e 191,44 ± 137,72 mmol.m-2.d-1 em Marapanim. Já os fluxos na ausência de pneumatóforos foram 66,30 ± 24,74 mmol.m-2.d-1 em Paraty e 80,88 ± 57,22 mmol.m-2.d-1 em Marapanim. Os fluxos médios de CO2 obtidos por câmaras flutuantes foram quatro vezes superiores na maré vazante (94,59 ± 91,98 mmol.m-2.d-1 em Paraty e 297,09 ± 176,85 mmol.m-2.d-1 em Marapanim) em comparação com a maré enchente (22,62 ± 7,76 mmol.m-2.d-1 em Paraty e 73,26 ± 32,65 mmol.m-2.d-1 em Marapanim), provavelmente em função da exportação lateral do CO2 liberado dos sedimentos. Os resultados também demonstram que o manguezal de Marapanim apresenta fluxos médios maiores em relação à Paraty, tanto na interface água-ar quanto na solo-ar.
Conclusão
Os resultados demonstram um contraste nos fluxos de CO2 na interface solo-ar e água-ar em manguezais brasileiros com diferentes tipos de vegetação e regimes de maré, em maio, representando o final do inverno amazônico e o outono no RJ. Os maiores fluxos no manguezal de Marapanim podem ser atribuídos ao regime de macromaré, em contraste com o regime de micromarés na região de Paraty, assim como os maiores fluxos na interface água-ar durante a vazante podem ser atribuídos a diferentes taxas de mineralização da matéria orgânica e transporte lateral ao longo do tempo. Somado a isto, a influência dos pneumatóforos sobre os fluxos foi mais acentuada também em Marapanim do que em Paraty, onde os fluxos não estiveram correlacionados com a densidade de pneumatóforos.
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