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Os corais formadores de recifes, também conhecidos como corais verdadeiros, são animais pertencentes ao Filo Cnidaria. Esses organismos secretam esqueletos de carbonato de cálcio (CaCO₃) que, ao longo do tempo, constroem extensas e complexas formações subaquáticas, sendo muito importantes na sustentação de ecossistemas ricos em biodiversidade marinha. Os corais são extremamente sensíveis às variações do ambiente e atuam como arquivos paleoceanográficos, pois os registros geoquímicos são preservados em seus esqueletos e informam acerca das condições passadas e permitem projeções futuras da situação dos oceanos. Os corais secretam, anualmente, um par de bandas de densidade (uma de alta densidade e outra de baixa densidade) e tal processo está intimamente ligado à temperatura, que vêm aumentando ao longo dos anos. A banda de alta densidade se refere aos meses de temperatura mais elevada e a banda de baixa densidade é referente aos meses de temperatura mais fria, predominantemente. Além disso, as variações de temperatura influenciam diretamente na densidade esquelética, no crescimento (ou extensão) linear e na calcificação dos corais, uma vez que o seu aumento pode reduzir a taxa de deposição de CaCO₃, resultando em esqueletos menos densos e mais frágeis. Compreender como se dão esses processos é vital para o entendimento sobre a esclerocronologia de organismos calcificadores, além de permitir entender como os corais respondem às alterações das variáveis ambientais, sendo esses os guias motivadores para o desenvolvimento do presente estudo. O objetivo do trabalho, portanto, é analisar a extensão linear e densitometria do coral Montastraea cavernosa, comparando com resultados de amostras da mesma espécie coletadas nos anos de 1860, e verificar como o esqueleto desses animais responderam às mudanças de temperatura. O coral foi coletado no complexo recifal de Abrolhos, no estado da Bahia, em 05/07/2023. O slab do coral foi cortado por meio de uma serra fita com mesa inclinável, de modelo SF-40-Mi, marca Maksiwa. Para a determinação da densidade e da calcificação superficial foi realizada a densitometria em uma amostra de coral no equipamento densitômetro de raios-x. Para a determinação da extensão linear, foi feita a radiografia do coral e a contagem das bandas de densidade no software CoralXDS. Os resultados foram trabalhados e interpretados através do software ImageJ. A determinação da densidade, calcificação e extensão linear ainda está em andamento. Em comparação com o material disponibilizado do coral Montastraea cavernosa coletado nos anos de 1860, na qual a densidade apresentou uma média de 5,2 ± 0,45 g/cm2, será possível notar um aumento ou diminuição dos valores. Portanto, pode-se inferir se o crescimento do coral está respondendo de maneira negativa ou positiva em relação ao aumento da temperatura superficial do mar, além de poder haver outras influências nos valores encontrados, como o rompimento da barragem de mineração do Fundão, ocorrida em novembro de 2015, que foi responsável pela contaminação do Rio Doce que deságua em Abrolhos.
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