DESENVOLVIMENTO DE PROTOCOLO DE PREPARO DE AMOSTRAS DE CALCITA ÓPTICA PARA GARANTIA DE HOMOGENEIDADE NA PRODUÇÃO DE MRC ISOTÓPICO DE δ¹⁸O E δ¹³C NO BRASIL

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Resumo

Materiais de Referência Certificados (MRC) de origem carbonática são fundamentais para garantir a confiabilidade de análises de razão isotópica de carbono (δ¹³C) e oxigênio (δ¹⁸O), com ampla aplicação em estudos paleoambientais e geoquímicos. Atualmente, existe uma lacuna crítica na disponibilidade de MRCs geológicos com composição isotópica estável, especialmente para δ¹⁸O.

Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo desenvolver e padronizar um protocolo de preparo físico de cristais de calcita óptica, visando à produção de um MRC nacional com alta pureza e homogeneidade isotópica. O lote de calcita óptica consiste em 120 cristais brutos e translúcidos, de hábito romboédrico e alta pureza visual, provenientes da Formação Bocaina (Faixa Paraguai Sul, Corumbá-MS). Do total, 12 cristais foram selecionados aleatoriamente para testes e envase. A calcita foi pulverizada, peneirada entre 500 µm e 180 µm, e envasada em 120 frascos contendo 1,0 g cada. Para avaliar a variabilidade isotópica de δ¹³C e δ¹⁸O, 10 frascos foram selecionados aleatoriamente. As análises isotópicas de carbono e oxigênio foram realizadas em um espectrômetro de massas de razão isotópica acoplado ao módulo GasBench II (CF-IRMS, Thermo Fisher Scientific). Os resultados revelaram alta variabilidade entre os frascos, com CV de 8,8% (δ¹³C) e 5,5% (δ¹⁸O), e a diferença em ‰ entre o menor e maior valor isotópico entre os frascos foi de 1,54‰ para o δ¹³C e 2,00‰ para o δ¹⁸O. Esperando menor variabilidade, foram feitos testes em condições de repetibilidade com diferentes granulometrias e lavagem com água tipo I. A lavagem reduziu as diferenças no valor isotópico de 1,61‰ para 0,24‰ (δ¹³C) e de 1,29‰ para 0,37‰ (δ¹⁸O). Os fatores associados à variabilidade foram: partículas finas exógenas, contaminação cruzada decorrente das peneiras e absorção de umidade. Assim, um novo protocolo de preparo foi implementado, reutilizando os 12 cristais. Cada um foi fragmentado com martelo para acessar o núcleo e evitar contaminação superficial. Os fragmentos foram lavados com água tipo I, secos a 60 °C por 24 h e fragmentados manualmente com pistilo de ágata, sem pulverização total, de modo a preservar a textura original do mineral. O peneiramento utilizou peneiras novas e exclusivas entre 500 µm e 212 µm, sendo utilizada apenas a fração retida em malha 212 µm. Um novo lote com 120 frascos foi avaliado em 10 frascos (triplicata aleatória). Observou-se redução na variabilidade: CV de 5,5% e diferença no δ¹³C de 1,09‰ entre os frascos; CV de 4,7% e diferença no δ¹⁸O de 1,80‰.

A análise estatística de variância (ANOVA) mostrou eficácia do protocolo revisado confirmando a homogeneidade para ambos δ¹³C e δ¹⁸O. O processo foi conduzido seguindo os requisitos da norma ISO17034, em um produtor de MRC acreditado pelo ANAB. O estudo destaca a importância de procedimentos rigorosos no preparo de MRCs isotópicos. O protocolo proposto é replicável em outras matrizes carbonáticas e pode reduzir a dependência de padrões importados, fortalecendo a infraestrutura analítica de geoquímica isotópica no Brasil. 

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Instituições
  • 1 UFRGS
  • 2 Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
  • 3 Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
  • 4 CENPES - PETROBRÁS
Eixo Temático
  • ST-09 - Geoquímica de isótopos radiogênicos, estáveis e não-convencionais
Palavras-chave
CARBONATO
CALCITA ÓPTICA
MATERIAIS DE REFERÊNCIA
ISÓTOPOS ESTÁVEIS
ISO 17034