COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO FITOPLÂNCTON E SUA INTER- RELAÇÃO COM SOLOS DE VÁRZEA DA REGIÃO DE MOCAJUBA, BAIXO TOCANTINS

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Resumo

As comunidades fitoplanctônicas desempenham um papel fundamental nos ecossistemas de várzea, especialmente na bacia do rio Tocantins, atuando na conservação da biodiversidade e contribuindo significativamente para os processos de ciclagem de nutrientes e melhoria das propriedades do solo. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo avaliar a composição química do fitoplâncton e sua correlação com as variáveis ambientais, em particular com o regime de cheias sazonais.A pesquisa foi conduzida em três ilhas de várzea com ocorrência de Theobroma cacao L. nativo, situadas no município de Mocajuba, estado do Pará. As coletas foram realizadas durante marés de enchente, por meio de arrastos horizontais com rede de fitoplâncton do tipo “Standard”, com abertura de malha de 20 µm. As amostras obtidas foram destinadas a análises morfológicas e químicas.Para a caracterização química, as amostras foram acondicionadas em frascos de polietileno (1 L), mantidas sob refrigeração e transportadas ao Museu Paraense Emílio Goeldi, onde foram lavadas com água Milli-Q, reconcentradas na mesma malha, congeladas e liofilizadas. As análises visaram quantificar macro e micronutrientes acumulados na biomassa fitoplanctônica. Já para a identificação taxonômica, as amostras foram fixadas com formaldeído PA (neutralizado com bórax a 4%), armazenadas em frascos de 250 mL e analisadas sob microscópio binocular, com aumento de 100× a 400×. A identificação dos organismos foi realizada até o menor nível taxonômico possível (classe, gênero e espécie).Os resultados morfológicos revelaram predominância da classe Zygnematophyceae, seguida por Chlorophyceae e Cyanophyceae, enquanto Coscinodiscophyceae e Xanthophyceae apresentaram menor riqueza de espécies. A distribuição dessas classes está associada à entrada de nutrientes minerais durante o período de cheias, que influencia diretamente a estrutura das comunidades fitoplanctônicas.Em relação à composição química, os macronutrientes apresentaram variações expressivas entre as ilhas, com destaque para cálcio (1.919,35 ± 297,09 µg g⁻¹), além de potássio (K), magnésio (Mg) e sódio (Na) com teores inferiores a 845 µg g⁻¹. Entre os micronutrientes, o ferro (Fe) apresentou as maiores concentrações (15.067,70 ± 419,92 µg g⁻¹), seguido por cobre (Cu), manganês (Mn) e zinco (Zn) (< 274 µg g⁻¹).As análises edáficas revelaram solos com pH ácido, enriquecidos em Carbono Orgânico Total (COT), Nitrogênio Total (NT), fósforo (P), além de K, Ca, Mg e micronutrientes como Fe, Mn, Cu e Zn. Esses dados indicam que o fitoplâncton atua como reservatório e vetor de nutrientes, refletindo a biodisponibilidade dos elementos químicos no ecossistema de várzea e sua influência nos ciclos biogeoquímicos, regulados pelas marés e pelo pulso de inundação.Esses achados reforçam a importância ecológica do fitoplâncton como bioindicador de qualidade ambiental e como elemento-chave nos processos de fertilização natural e manutenção da produtividade em ambientes de várzea amazônica.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal Rural da Amazônia-UFRA
  • 2 Museu Paraense Emílio Goeldi
  • 3 Departamento de Ciências da Terra e Ecologia do Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, PA.
  • 4 Universidade Federal do Pará
Eixo Temático
  • ST-05 - Hidrogeoquímica, geoquímica de solos e contaminação
Palavras-chave
AMAZÔNIA
BIODIVERSIDADE
ECOLOGIA