ANÁLISE COMPARATIVA DE MÉTODOS DE EQUILIBRAÇÃO CONTÍNUA E DISCRETA PARA A DETERMINAR A PRESSÃO PARCIAL DE CO2 EM ÁGUAS COSTEIRAS EUTRÓFICAS (BAÍA DE GUANABARA, RJ)

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Resumo

O dióxido de carbono (CO2) é o mais abundante gás do efeito estufa presente na biosfera, cujo papel para contribuir ao aquecimento global tem aumentado pelas atividades antropogênicas nas últimas décadas. Em 2025, as concentrações atmosféricas de CO2 aumentaram mais de 50% (de 278 a 428 ppm) desde o período pré-industrial. A dinâmica deste gás em ambientes costeiros constitui um componente relevante no balanço global de carbono, consequência da intensa produção primários ou dos elevados aportes de substratos orgânicos à heterotrofia ou de CO2. Contudo, a diversidade de métodos utilizados na determinação de pressão parcial de CO₂ (pCO₂) demanda estudos metodológicos. O objetivo desse estudo foi comparar a acurácia de medidas a partir de equilibração discreta e contínua, visando determinar a pCO₂ em águas costeiras tropicais eutrofizadas, usando dados obtidos em coletas simultâneas ao longo de campanhas nictemerais e sazonais na Baía de Guanabara (RJ, Brasil). As águas superficiais (~25 cm) para ambas as metodologias foram amostradas pelo sistema de bombeamento submerso de baixa vazão (~1,8 L min) e sem bolhas do sistema de Biomonitoramento Contínuo de Águas/Programa Ecológico de Longa Duração da Baía de Guanabara entre 2018 e 2020. A equilibração discreta foi realizada com 1 L de água, armazenada em frascos herméticos onde foi adicionado 60 mL N₂ em pressão atmosférica, antes de agitação para obtenção do equilíbrio entre as fases líquida e gasosa. Posteriormente, ~30 mL da fase gasosa foram coletados e armazenados em frasco à vácuo para análise no cromatógrafo gasoso em laboratório. Por sua vez, as medições contínuas de pCO₂ na água marinha superficial foram realizadas por meio de um equilibrador (tubo de acrílico vertical preenchido com esferas de vidro, que aumentam a superfície de contato da água para a troca gasosa com o ar), em um circuito fechado e interligado a um analisador de CO₂ por infravermelho (PPSystems EGM-4), permitindo a aquisição de medidas a cada minuto. As campanhas amostrais ocorreram em ciclos nictemerais a cada mês entre janeiro de 2018 e janeiro de 2020. As amostragens discretas foram realizadas a cada 2 h, enquanto as medições contínuas consideraram a média dos dados de 15 min antes e após cada coleta discreta. Como os dados não apresentaram distribuição normal (p < 0,05; teste de Shapiro-Wilk), foram realizadas análises de correlação não paramétricas, utilizando o coeficiente de Spearman, para comparar a pCO₂ medida método de equilibração discreta com as medidas obtidas pela equilibração contínua. A pCO₂ estimada pela equilibração discreta não apresentou correlação significativa com os valores mensurados pelo método contínuo (n = 124). Entretanto, observou-se uma correlação mais pronunciada nas amostras de águas mais ácidas (rs = 0,46) em comparação às águas mais alcalinas (rs = 0,14), associadas a valores de pH < e > 8,0, respectivamente. Em condições de águas mais alcalinas, a mediana da pCO₂ obtida pelo método discreto foi, em média, 3,2 vezes superior àquela medida pelo método de referência, enquanto em pH <8.0, essa relação foi 2,6 vezes maior. Sendo assim, em ambientes tropicais eutrofizados, onde ocorre alta variabilidade de pH, resultante da intensa atividade fotossintética e respiratória, que são intensificadas por altas temperaturas, elevada disponibilidade de nutrientes e incidência solar ao longo de todo o ano, recomenda-se a medição direta da pCO₂ pelo método de equilibração contínua.

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Instituições
  • 1 Departamento de Geoquímica, Universidade Federal Fluminense UFF, Instituto de Química, Niterói - RJ, Brasil
  • 2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • 3 Laboratório de Oceanografia Química, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, Brasil
  • 4 Laboratório de Oceanografia Química, Programa de Pós-Graduação em Oceanografia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, Brasil
  • 5 UMAA – UNIDADE MULTIUSUÁRIO DE ANÁLISES AMBIENTAIS, INSTITUTO DE BIOLOGIA, Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • 6 UMAA – UNIDADE MULTIUSUÁRIO DE ANÁLISES AMBIENTAIS, INSTITUTO DE BIOLOGIA, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – UFRJ
Eixo Temático
  • ST-06 - Climatologia, geoquímica dos oceanos, atmosfera e o Antropoceno
Palavras-chave
pCO₂
EQUILIBRAÇÃO DISCRETA
EQUILIBRAÇÃO CONTÍNUA