Materialidade, autoria e dinâmica como elementos imprescindíveis para fundamentar o fato histórico: evidências biológicas em residentes da Porto Alegre dos séculos XVIII e XIX.

- 319208
Resumo - Pós-Graduação/Profissional
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Nas ciências forenses e na criminalística, a materialidade, a autoria e a dinâmica são os elementos imprescindíveis para a configuração de um crime e para fundamentar um processo penal. A materialidade é crucial para a comprovação de que o crime, de fato, ocorreu. Trata-se da comprovação objetiva e concreta da existência do fato; é considerada a manifestação física do crime, e abrange a prova física, ou o conjunto de provas tangíveis, que demonstram que o crime aconteceu. Inclui evidências físicas, perceptíveis aos sentidos humanos, que sustentem a real ocorrência do fato criminoso. A autoria, também evidenciada pelas provas materiais, aponta para o envolvimento de um indivíduo no caso, sem, necessariamente, instituir causalidade ou sua culpabilidade. A dinâmica, por sua vez, descreve a ordem cronológica dos eventos no fato, inserindo-o no contexto. Para se concluir sobre qualquer destes três elementos exige-se necessariamente muito rigor, correta e avançada tecnologia e exatidão na condução dos exames periciais que darão suporte ao resultado final. Neste trabalho mostramos como a mesma racional válida para a perícia forense e criminalística, foi aplicada para desenvolver um estudo histórico: descrever como se apresentava a sociedade da cidade de Porto Alegre, RS, Brasil, entre os séculos XVIII e XIX. Investigamos DNA e elementos osteológicos pertencentes aos indivíduos que foram os residentes iniciais da capital gaúcha, os quais se encontram enterrados no primeiro cemitério oficial do local, ativo entre 1772 e 1850. Após as análises, foi aplicado o método conhecido como micro-história, o qual serve como adjuvante para analisar uma trajetória. Esse gênero histográfico parte de um elemento fundamental (um osso, um genoma, por exemplo) que permite expandir o contexto de forma a remontar a história completa do que o cercava. As provas físicas evidenciadas pelo nosso estudo, avaliadas no DNA e na morfopatologia óssea dos indivíduos residentes da cidade existente entre os séculos XVIII e XIX, comprovaram os relatos que até agora eram apenas testemunhais e documentais (certidões, prontuários, anotações, cartas e fotografias) e que, exclusivamente, descreviam como foi o período de formação da cidade. Nossa investigação identificou evidências que conferem a materialidade, a autoria e dinâmica de aspectos antropológicos importantes que aconteceram no passado da cidade de Porto Alegre.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 INCT Forense / UFCSPA
  • 2 INCT Forense / PUCRS
  • 3 INCT Forense
  • 4 Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
  • 5 UFCSPA
Eixo Temático
  • Outros temas
Palavras-chave
Antropologia Forense
Micro-História
Porto Alegre
Paleopatologia
mtDNA