Em busca de um maior poder de discriminação dos haplótipos mitocondriais na população brasileira: uma ferramenta para auxiliar a genética forense

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Resumo - Pós-Graduação/Profissional
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Resumo

O uso do DNA mitocondrial (mtDNA) nas ciências forenses é informativo principalmente em casos nos quais o DNA nuclear não está disponível ou está degradado, fornecendo informações para a identificação humana por meio da linhagem materna. Isso se deve à alta quantidade de moléculas por célula, à sua natureza compacta e circular, ao modelo de transmissão de herança matrilinear na forma de haplótipo e à presença de regiões hipervariáveis. O uso adequado do poder de discriminação conferido pelo mtDNA, depende do conhecimento da estrutura genética da população analisada, o que representa um desafio em populações altamente miscigenadas. Diante disso, o presente estudo busca associar a variabilidade de regiões hipervariáveis com polimorfismos presentes ao longo do mitogenoma, de forma a aumentar o poder de discriminação fornecido pelo mtDNA. Com este objetivo, a região controle completa do mtDNA (1.122pb, incluindo HVI, II e III) de 196 indivíduos, oriundos de quatro regiões do Brasil, foi amplificada com um conjunto de iniciadores específicos e sequenciada pelo método de terminação de cadeia. O alinhamento das sequências e a obtenção dos respectivos haplótipos foram realizados por meio do programa SeqScape® v2.7 e os haplogrupos determinados pela plataforma EMPOP. As linhagens mitocondriais somaram 2779 variações distribuídas em 196 haplótipos e 227 sítios polimórficos (S), sendo as mais frequentes: 315.1C (100%), 263G (97,4%), 73G (85,7%), 16519C (60,2%) e 16223T (59,7%). As posições 16218, 146, 152 e 204 apresentaram heteroplasmias de sequência observadas em cinco indivíduos. Os haplótipos foram classificados em 109 haplogrupos distintos, incluídos em 18 macro-haplogrupos de três origens geográficas distintas: nativa americana (NA) - A,B,C e D); africana (AF) - L0,L1,L2 e L3 e européia (EU) - H,HV,J,K,M,R,T,U,W e X. As quatro regiões do Brasil foram classificadas quanto ao percentual de ancestralidade mitocondrial: Nordeste (n=21 - NA:42,9%|AF:42,9%|EU:14,3%); Centro-Oeste (n=86 - NA:52,3%|AF:30,2%|EU:17,4%); Sudeste (n=54 - NA:25,9%|AF:42,6%|EU:31,5%); e Sul (n=35 - NA:37,1%|AF:17,1%|EU:45,7%). A classificação dos haplogrupos corrobora o processo de colonização de cada região analisada e a natureza miscigenada da população brasileira, sendo essa caracterização e o processo de controle de qualidade dos dados mitocondriais uma etapa fundamental para a pesquisa. Com isso, a próxima fase visa agregar as variações encontradas na região controle com 311 variantes oriundas de estudo de associação do genoma completo (GWAS) distribuídas ao longo do restante do mitogenoma, buscando assim encontrar um maior poder de discriminação dos haplótipos mitocondriais para auxiliar casos que envolvam a genética forense.

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Instituições
  • 1 Programa de Pós-Graduação em Genética, Departamento de Genética, Universidade Federal do Paraná
  • 2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • 3 Laboratório de Genética Molecular Humana, Departamento de Genética, Universidade Federal do Paraná
  • 4 Laboratório de Diagnósticos por DNA, Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Eixo Temático
  • Identificação Humana e Análise de Vínculos Genéticos
Palavras-chave
Mitogenoma
Diversidade Genética
Haplogrupos
Populações Miscigenadas