SÍNDROME DE DOWN E LINGUAGEM: O PROCESSO DE CONSTITUIÇÃO DE UM SUJEITO
Este trabalho discute ancorado na Neurolinguística Discursiva e na perspectiva Histórico – Cultural, a constituição do sujeito com síndrome de Down a partir de seu funcionamento de linguagem, considerando a heterogeneidade destes sujeitos e as reais possibilidades de uso da linguagem que lhes são oferecidas em seu dia-a-dia.
Crianças com síndrome de Down foram e ainda o são, consideradas como incompetentes para adquirir e utilizar linguagem por apresentarem dificuldades motoras e cognitivas. Estas dificuldades não são impeditivas para a aquisição e o uso efetivo de linguagem tanto oral como escrita.
Apesar de a síndrome de Down ser uma condição genética bastante descrita, a aquisição de linguagem destas crianças é marcada por enganos e preconceitos ocasionando-lhes uma concepção muito negativa.
Os resultados desta pesquisa demonstraram que a aquisição e o desenvolvimento de linguagem destes sujeitos seguem o mesmo padrão de qualquer criança, a diferença reside no tempo que esta criança leva para concluir esta aquisição em comparação aos seus coetâneos. Outra questão considerada é que esta aquisição está na dependência das oportunidades efetivas de vivenciar a linguagem e da visão diferenciada por parte do interlocutor acerca de linguagem e de sujeito, pautada em uma concepção histórica de língua.
Os dados indicam também a importância da linguagem para a constituição identitária dos indivíduos com síndrome de Down.