Crianças e adolecentes inseridas em serviços de saúde mental: necessidades e demandas de familiares
As políticas em saúde para tratamento das crianças e adolescentes em intenso sofrimento psíquico e transtornos mentais, após importantes transformações ocorridas ao longo das últimas décadas, têm buscado incentivar a participação dos familiares nas propostas de cuidado a se realizarem nos serviços prioritários, os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis (CAPSi). O objetivo deste estudo é identificar as principais dificuldades e necessidades de famílias de crianças e adolescentes em intenso sofrimento psíquico inseridos nos CAPSi sob a ótica dos próprios familiares.
Participaram do estudo 16 familiares de crianças e adolescentes em intenso sofrimento psíquico inseridos em quatro CAPSi localizados em diferentes municípios do Estado de São Paulo, por meio de entrevistas. O material das entrevistas foi analisado pela técnica do Discurso do Sujeito Coletivo e discutidos à luz das principais publicações do campo das políticas de atenção para crianças e adolescentes.
Os principais resultados indicaram que as necessidades dos familiares estão diretamente relacionadas com as dificuldades na organização do cuidado para seus filhos em tratamento, como também evidenciam que ainda há escasses de redes de suporte para alívio da sobrecarga a que os familiares estão submetidos. Discute-se que a atenção para crianças e adolescentes em sofrimento, deve ser também aquela que produza melhores condições de vida e de autonomia para seus familiares, principalmente para seus cuidadores.