Autismo e Gênero: Trajetórias Escolares de Meninas
O TEA (Transtorno do Espectro Autista) é uma condição que acomete crianças e pode ser precocemente identificada, já na primeira infância. A literatura aponta que a incidência é maior em sujeitos do sexo masculino. O transtorno se caracteriza por déficits na comunicação e na interação social; interesses restritos e comportamentos repetitivos e ritualísticos. Em muitos casos, há comprometimento cognitivo e da linguagem.
Na literatura, há uma carência de trabalhos que se debrucem sobre as trajetórias escolares de alunos com o transtorno e, mais especificamente, sobre a escolarização de meninas com essa condição. Os dados disponíveis indicam que grande parte das crianças acometidas não completam todas as etapas do ensino formal. O estudo aqui proposto mapeia e analisa as trajetórias escolares de meninas com autismo em um município do interior do estado de São Paulo. Trata-se de um trabalho descritivo, quantitativo, que utiliza como fonte os dados do Censo Escolar do INEP (2009-2012).
Os resultados preliminares apontam que a maioria das meninas com autismo não completam o ensino básico, nem permanecem por muitos anos consecutivos na escola. Esses resultados indicam a necessidade de se propor políticas públicas que visem a inclusão de crianças com autismo no ambiente escolar e que proporcionem os recursos de apoio terapêutico e educacional necessários para o seu desenvolvimento e escolarização.