Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
Durante o séc. XIX houve uma profusão de naturalistas estrangeiros que empreenderam expedições naturalísticas no Brasil. Durante essas expedições, indígenas e negros trabalharam nas mais diferentes funções, no entanto, não é dado o devido destaque quanto ao papel desses povos nas expedições científicas realizadas por naturalistas viajantes. Dessa maneira, buscamos analisar as formas como se deu a atuação de indígenas e negros em expedições científicas do séc. XI. Para isso, realizamos pesquisa documental utilizando diários de viagens e livros redigidos por naturalistas como fonte primária, além de documentos, ensaios, artigos e livros como fonte complementar. Entre os naturalistas que relataram ajuda de indígenas e negros nas expedições, alguns destacáveis foram Spruce, Darwin e Wallace. O naturalista Spruce, por exemplo, narra a habilidade de indígenas para caçar, subir árvores e remar: “O índio caçador tem excelente pontaria e me conserva bem suprido de carne. Também é útil par escalar árvores e remar, em ambas as funções não há quem o iguale. Charles Darwin também registrou o conhecimento da natureza presente crianças indígenas: "Tendo acomodado o meu cavalo, parti para a floresta. Um mulato e um menininho brasileiro me acompanhavam. [...] Jamais vi qualquer coisa igual ao seu poder de percepção. Muitos dos mais raros animais, nas trilhas mais obscuras, foram apanhados por ele. Eu teria achado tão fácil imaginar um besouro tornar-se traidor e trabalhar como meu ajudante, quanto encontrar um tão competente neste camaradinha. Era realmente como aquilo que se lê sobre o talento para a observação que têm os índios; Meus olhos, com anos de prática, não estavam de maneira alguma à altura dessa criança". Já Wallace destacou o conhecimento de Isidoro, um negro que contratou como ajudante: “O nosso velho guia [...] já havia trabalhado muito na floresta, estava bem familiarizado com as várias árvores, sabia dizer-lhes os nomes e conhecia todas as suas propriedades e empregos”. É preciso destacar que o conhecimento dos indígenas de Pindorama e os saberes de matriz africana foram fundamentais para o sucesso das expedições científicas do XIX. Eles atuaram como remadores, caçadores, preparadores de amostras e, sobretudo, compartilhando conhecimento empírico sobre a natureza. Sem a ajuda e o conhecimento desses grupos, os naturalistas não teriam acesso a informações como o comportamento, onde habitavam e como coletar determinadas espécies, alimentos que poderiam ser consumidos, como navegar em rios turbulentos em canoas, ou sobre a biodiversidade de plantas de interesse farmacológico-medicinal. Os relatos sobre expedições científicas dão pouco destaque à participação da população negra e indígena, contribuindo para uma imagem do naturalista europeu solitário e desbravador, que descobriu sozinho grande quantidade de espécies em terras desconhecida. Assim, é preciso destacar o papel desses povos nas expedições científicas no séc. XIX. Além disso, é necessário reconhecer e valorizar todo conhecimento dito não científico e, para além disso, construir diálogos entre o saber científico e os múltiplos saberes a fim de construir novas possibilidades para o conhecimento e religar a ciência à sociedade e ao ser humano.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo