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Estudos comprovam que os povos indígenas, a exemplo dos Pataxó no Sul da Bahia e os Mbya Guarany em Santa Catarina, são historicamente responsáveis pela conservação dos bens comuns em seus territórios. Fato que se dá pela íntima conexão com a natureza, o que há séculos tem resultado em formas de apropriação comum baseadas em práticas tradicionais de manejo. No entanto, esses povos tem enfrentado desafios cada vez maiores para se adaptar à crise climática. Neste sentido, alertas afirmam a inequívoca influência das atividades humanas no aquecimento da atmosfera, oceanos e continentes. Pesquisas destacam que os impactos das mudanças climáticas variam entre os diversos grupos sociais, dependendo da idade, etnia, gênero e classe em relação ao acesso aos alimentos. Neste contexto, o objetivo deste trabalho é trazer à discussão os desafios enfrentados por esses povos em tempo de crise climática. Os extremos climáticos, que na atualidade tem ocorrido com maior frequência, desencadeiam perda da produção de culturas de subsistência como milho, mandioca e feijão, que são a base da alimentação dos povos indígenas. A incerteza climática que provoca ondas de frio, calor ou chuvas em períodos incomuns, indefinindo e descaracterizando as estações do ano, fazem com que os indígenas não possam mais usar seus calendários tradicionais, gerando também perdas de conhecimentos ancestrais sobre a sociobiodiversidade. As queimadas e o desmatamento, são os principais geradores de gases do efeito estufa, provocando destruição das florestas, assoreamento de cursos d’água, perda de habitat e extinção de espécies. Diante deste cenário e, dentre as possibilidades de enfrentamento e mitigação, estudos destacam a importância da participação dos povos indígenas na tomada de decisão, possibilitando a criação de sinergias entre a segurança alimentar, conservação ambiental e adaptação a crise climática. Apesar das experiencias desses grupos apontarem alternativas viáveis de adaptação à emergência climática, eles têm sido afetados de maneira mais severa por esses impactos. Ainda assim, estão desempenhando importante papel de resiliência, resistência e capacidade adaptativa, por suas formas coletivas de organização socio produtiva e pelo emprego de suas técnicas tradicionais de manejo conservacionista adaptadas às novas condições vivenciadas. Estes grupos podem apresentar maior ou menor grau de vulnerabilidade climática, em relação ao acesso e as condições de apropriação dos comuns, o que varia em função da exposição à eventos climáticos extremos e das especificidades ambientais de cada sistema. Essa situação é agravada pela ausência de políticas públicas de apoio e proteção aos territórios e povos indígenas. Portanto é fundamental garantir a participação dos povos indígenas na tomada de decisão e construção de políticas públicas, garantindo a proteção efetiva de seus territórios, bem como da regulamentação do uso de seus entornos, o que as segurará a propagação dos sistemas de manejo tradicionais dos povos indígenas e a conservação dos seus bens comuns.
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