Etnoconhecimento sobre Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos) em três municípios ao longo do rio Paraguai, Mato Grosso

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Resumo

A relação das plantas com o ser humano é antiga, considerada intrínseca e adaptativa, foi sendo moldada ao longo dos anos, em que o homem aprendeu a manusear, utilizar e se beneficiar do recurso vegetal de diferentes formas, como alimento, medicamento, abrigo, dentre outras formas no universo cultural. Entre as espécies de uso popular está a Piúva-preta, também conhecida como Piúva pantaneira e ipê roxo, cujo nome científico é Handroanthus impetiginosus (Mart. Ex DC.) Mattos, pertence à família Bignoniaceae, é uma árvore de médio a grande porte que além do uso madeireiro também se destaca o medicinal. Nesse sentido o objetivo desse estudo foi caracterizar os diferentes tipos de uso de H. impetiginosus em três municípios ao longo do rio Paraguai – na porção norte do Pantanal. A pesquisa foi realizada nos municípios de Cáceres, Porto Estrela e Barra do Bugres, as coletas de dados iniciaram em março de 2018 após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa – CEP - UNEMAT, e se estenderam até 2020. Para o registro sobre etnoconhecimento foram utilizados formulários semiestruturados e observação participante. A coleção testemunha do material botânico indicado pela população, foram tratadas conforme recomendações do IBGE, o material foi identificado por especialistas e incorporado ao acervo do HPAN - Herbário do Pantanal “Vali Joana Pott”, Unemat, Cáceres, MT. Os resultados são referentes ao conhecimento de 17 interlocutores. Quanto ao uso geral, o tronco e a casca são as estruturas da planta indicadas para as seguintes finalidades: confecção de canoa, confecção de viola de cocho e medicinal. Para a última indicação a parte utilizada é a casca do caule, indicada para infecções, inflamações, úlcera e os preparos citados foram: chá para ingestão oral e banho. Cada interlocutor tem sua forma particular de preparo dos chás, pois dependem da indicação, para a ingestão é preparado com água que deve ser aquecida e ao iniciar a fervura interrompe o aquecimento, coloca as folhas e abafa (infusão), enquanto o chá da casca do caule e as folhas que serão utilizadas para banho devem ser fervidos (decocção). Estas mesmas formas de preparo foram observadas em outros estudos no qual os interlocutores relataram que o chá da casca deve ser preparado por decocção. Pesquisas desta natureza são importantes para a compreensão do uso sustentável da biodiversidade por meio da valorização e do aproveitamento do conhecimento empírico das populações. Podem ser compreendidas a partir dos sistemas de manejo adotados, incentivando a geração de conhecimento científico e tecnológico voltados para o uso sustentável dos recursos naturais.

Instituições
  • 1 Universidade do Estado de Mato Grosso
Eixo Temático
  • 1 – Etnobiologia e Etnoecologia e as múltiplas fronteiras
Palavras-chave
Piúva
Rio Paraguai
Etnobotânica