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Muito provavelmente, no contexto colonial de genocídio e epistemicídio, conhecimentos tradicionais sobre plantas que hoje seriam consideradas PANCs foram perdidos para sempre ou escondidos muito subjetivamente no consciente coletivo quilombola. Essas espécies são protegidas pelo conhecimento tradicional, uma vez que a prática de sua ancestralidade envolve a proteção, também, de um território onde se come, reza e vive-se o cotidiano com essas plantas que alimentam e curam. A segurança alimentar dessas comunidades quilombolas está mais comprometida do que nunca. Hoje, há mais estudos voltados à área da saúde, focando nas mazelas relacionadas a distúrbios ou deficiências metabólicas causados pelo difícil acesso a alimentos de qualidade, bem como aspectos de educação alimentar, como obesidade, hipertensão, desnutrição, entre outros fatores vulnerabilizantes. O objetivo do estudo foi de registrar espécies vegetais utilizadas como PANC (Plantas Alimentícias não Convencionais) em comunidades quilombolas no estado da Bahia. Os dados foram obtidos por meio de revisão de literatura consultando-se duas base de dados, Google Acadêmico e Scielo, usando-se os seguintes descritores: quilombo, quilombola, PANC, Bahia, plantas alimentícias e comunidade tradicional. Cerca de 105 espécies de PANC foram registradas. As famílias com mais representantes são: Myrtaceae (n=10), Fabaceae (8), Arecaceae (7), Annonaceae (7), Amaranthaceae (6), Bromeliaceae (4), Asteraceae (3), Rubiaceae (3), Malpighiaceae (3), Cesalpinoideae (3), Malvaceae (3) e Anacardiaceae (3). Tendo em vista o contexto histórico no qual os quilombos foram formados no Brasil, era de se esperar que espécies mais convencionais predominassem na alimentação das comunidades devido à urgência na qual eram criados os territórios: mandioca, café, batata, milho, inhame, arroz, frutas e outras espécies mais fáceis de produzir, distribuir e vender, controlando o cultivo e também garantindo a alimentação dos escravos (em sua maioria) e índios refugiados, de forma que as pessoas não passassem fome, não dependessem de espécies espontâneas e nem de monocultura. No levantamento feito, observa-se que há uma relativa deficiência no número de PANCs associadas às comunidades quilombolas não só na Bahia, mas também no Brasil. Grande parte dos dados referentes a práticas alimentares com PANC diz respeito a etnofarmacopeias de Quilombos da Bahia, cujos registros foram feitos por pesquisadores(as) que focavam nos usos medicinais das plantas. Cabe salientar a relevância de levantamentos como o que foi realizado para documentar ao máximo os conhecimentos esparsos, bem como estimular o desenvolvimento de mais estudos para uma visão geral sobre segurança alimentar e usos tradicionais de plantas em territórios quilombolas, bem como a importância das mulheres da proteção de maior parte da etnobiodiversidade e contra o epistemicídio.
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