Conhecimento ecológico da biodiversidade e de mudanças climáticas de populações locais presentes no Corredor biocultural do Rio Paraguai em Cáceres MT: assentamentos Paiol e Laranjeira 1.

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Resumo

Conhecimento ecológico da biodiversidade e de mudanças climáticas de populações locais presentes no Corredor biocultural do Rio Paraguai em Cáceres MT: assentamentos Paiol e Laranjeira 1.
O conceito de Corredor Biocultural surge da necessidade dos ecossistemas se manterem relacionados para permitir a continuidade dos processos ecológicos, envolvendo também os saberes, as práticas e as expressões culturais do território. Esta pesquisa apresenta dados relacionados ao CET-Conhecimento Ecológico tradicional a respeito da biodiversidade, conhecidas e utilizadas por 40 entrevistados em 2 assentamentos. Os métodos, as técnicas e tecnologias utilizadas no manejo e gestão dos recursos natural disponível nesse corredor ecológico e econômico, podem ter sido afetados, possibilitando a esses grupos perceberem e apresentarem adaptações face às alterações ocorridas no clima da região. Identificar os conhecimentos, uso da biodiversidade, percepções e adaptações as alterações climáticas no Corredor Biocultural do Rio Paraguai. Esta pesquisa está registrada no número CAAE: 54885916.3.0000.5166 do Comitê de Ética. As técnicas aplicadas foram: bola de neve, entrevista estrutura e lista livre. A técnica bola de neve utiliza cadeias de referência, uma espécie de rede. O uso da técnica de lista livre é geralmente utilizado para identificar domínios culturais ou itens em um domínio cultural, ou seja, percepções e conceitos compartilhados (e não preferências pessoais). Esses métodos e técnicas já foram utilizadas no Pantanal e Guaporé nos últimos anos. Foram entrevistados in locu 40 atores sociais, distribuídos nos assentamentos Paiol e Laranjeira I (20 pessoas indicadas pela bola de neve em cada assentamento), localizados no município de Cáceres-MT. A pesquisa foi realizada nos meses de Agosto e Novembro de 2021. No assentamento Laranjeira I, distante 78,6 km do centro de Cáceres foram entrevistados 10 mulheres e 10 homens. Enquanto no assentamento Paiol, à 52,7 km do centro Cáceres, 6 mulheres e 14 homens foram entrevistados. Em relação às mudanças climáticas, 77% relataram que o clima piorou, enquanto 19% afirmaram que o clima não mudou na área de estudo. A presente pesquisa mostrou o etno conhecimento local da fauna e flora e percepções de mudanças do tempo (estação seca para chuvosa, calor para o frio). Quanto ao uso da biodiversidade vegetal, verificou -se as etnocategorias alimentar, medicinal, artesanal, iscas e madeireiro para construções de moradias, cercas e currais, como outros estudos na região. A biodiversidade animal indicou as alterações do tempo, tais como esturros de onças, jacarés e bugios, vocalizações de aves. Jaós, Perdiz, Acauãs, Seriemas, Aracuãs, Sabias-Laranjeira e Garças-Boiadeiras; Anfíbios: os coaxares dos sapos e pererecas, observações estas registradas pela primeira vez em estudos dessa natureza, no Pantanal. O etno- conhecimento dos grupos estudados ocorre de duas formas práticas. Experiência, envolvendo elementos de memória transmitidos oralmente pelos mais velhos e informações externas adquiridas em práticas sociais e por meios de comunicação de massa, como a televisão e rádio.

Instituições
  • 1 ASSOCIAÇAO XARAIES
  • 2 Universidade do Estado de Mato Grosso
  • 3 unemat
Eixo Temático
  • 6 – Povos e comunidades tradicionais, territórios e mudanças climáticas no Brasil
Palavras-chave
território
Mudanças climáticas
biodiversidade
Rio Paraguai
Cáceres