PERCENTUAL DE TANINOS PRESENTES EM FRUTOS DE CASTANHOLA
PERCENTUAL DE TANINOS PRESENTES EM FRUTOS DE CASTANHOLA
Gregório Mateus Santana¹, Juarez Benigno Paes², Djailson Silva da Costa Júnior³, Girlânio Holanda da Silva³, Francisco Altobelly Viana da Silva¹
Universidade Federal de Lavras¹, Universidade Federal do Espírito Santo², Universidade Federal de Campina Grande³
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1. INTRODUÇÃO
Os taninos são substâncias naturais, minerais ou sintéticas, capazes de precipitar as proteínas presentes em peles para transformá-las em couro (PANSHIN et al., 1962; HASLAM, 1966).
Os agentes tânicos minerais são obtidos de sais inorgânicos, à base de cromo ou zircônio. Já os taninos sintéticos são produtos derivados da condensação do fenol, cresol e naftalenos com um aldeído, como o furfural (PANSHIN et al., 1962). Esses produtos químicos, ou a reação deles, podem trazer danos ao homem e ao ambiente. Por isto, vários países têm dado preferência aos artigos provenientes do curtimento com taninos naturais (vegetais).
Os taninos vegetais podem ser encontrados em várias partes do vegetal, como madeira, casca, frutos e sementes. São constituídos por polifenóis e classificados em hidrolisáveis e condensados. Os hidrolisáveis são poliésteres da glicose e são classificados, dependendo do ácido formado de sua hidrólise, em galo ou elágico taninos (PIZZI, 1993). Os taninos condensados são constituídos por monômeros do tipo catequina e são conhecidos por flavonóides (HASLAM, 1966; WENZL, 1970; PIZZI, 1993), estando presentes, basicamente, na casca das árvores.
Os taninos podem representar de 2 a 40% da massa seca da casca de várias espécies florestais. Dentre as espécies tradicionalmente exploradas para a produção, destacam-se o quebracho (Schinopsis sp.) de ocorrência natural na Argentina e Paraguai (contém até 25% da massa seca de sua madeira de cerne em taninos) e a acácia-negra (Acacia mollissima e A. mearnsii) de ocorrência natural na Austrália (PANSHIN et al., 1962; HASLAM, 1966).
No Brasil há várias espécies produtoras de taninos, porém, os curtume tradicionais da Região Nordeste, que utilizam os taninos vegetais, apesar da diversidade de espécie arbóreas e arbustivas de ocorrência natural ou aclimatadas na região, têm no angico vermelho (Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan var. cebil (Vell.) Brenan) sua única fonte de taninos (DINIZ et al., 2003).
Sendo a atividade exclusivamente extrativista, a falta de práticas adequadas de manejo e com a melhor época para a retirada das cascas, ou de uma política de reflorestamento que visem à reposição das árvores exploradas está colocando em risco o esgotamento dessa espécie florestal (DINIZ et al., 2003).
Em virtude disto, esta pesquisa teve como objetivo avaliar o Teor em Taninos Condensados (TTC), Teor de Sólidos Totais (TST) e Índice de Stiasny (IS) presente em frutos de castanhola, espécie ocorrente na região Nordeste e de vasta distribuição no mundo.
2. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
Para este estudo foram utilizadas cinco plantas de castanhola (Terminalia catappa L), empregadas na arborização publica na cidade de Patos - PB. Foram coletados 5 kg de frutos, distribuídos aleatoriamente na copa de cada árvore. Após a coleta, os frutos foram quebrados, tendo as amêndoas sido removidas, secos ao ar e moídos em moinho do tipo Willey, para obter um material de menor granulometria.
Para as análises, o material obtido da moagem foi selecionado, sendo utilizada a porção que passou pela peneira de 16 mesh (1,00 mm) e ficou retida na de 60 mesh (0,25 mm). A serragem obtida foi homogeneizada e a umidade determinado, para permitir os cálculos, em base seca, do teor de taninos condensados presentes em cada amostra.
As substâncias tânicas foram extraídas em água destilada. Sendo após cada extração, o material passado em uma peneira de 150 mesh (0,105 mm), e em um tecido de flanela, para a retenção de partículas menores. O extrato obtido foi homogeneizado e filtrado em funil de vidro sinterizado de porosidade 2, concentrado para 250 ml, e retiradas três alíquotas de 50 ml de cada extrato, sendo duas delas utilizadas para a determinação do teor de taninos condensados
(TTC), e a outra evaporada em estufa a 103 ±2 ºC por 48 horas, para a determinação da porcentagem de teor de sólidos totais (TST).
Para a determinação do TTC, presente em cada árvore foi empregado o método de Stiasny, descrito por Guangcheng et al. (1991), com algumas modificações. Para tanto, aos 50 mL do extrato bruto foram adicionados 4,0 mL de formaldeído (37% m/m) e 1,0 mL de HCl concentrado aos extratos obtidos. Cada mistura foi submetida à fervura sob refluxo por 30 minutos. O material foi seco em estufa a 103 ±2 °C por 24 horas e, por diferença de peso, foi calculado o índice de Stiasny. A quantidade de taninos presente em cada árvore foi obtida ao
multiplicar o Índice de Stiasny pelo teor de sólidos totais.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 1 encontram-se os valores de umidade em base seca (%), TST (%), IS (%) e TTC (%) presentes nos frutos das cinco árvores amostradas.
Tabela 1: Valores de umidade em base seca (%), TST (%), IS (%) e TTC (%) nas árvores estudadas.
Árvores Umidade (%) TST (%) IS (%) TTC (%)
1 9,70 23,00 22,85 5,25
2 9.70 21,70 24,45 5,25
3 9,36 24,20 20,68 5,00
4 10,42 26,50 20,19 5,30
5 9,94 25,50 21,07 5,34
Média 9,82 24,18 21,85 5,23
Os teores de sólidos totais, que representam as porções de substâncias tânicas e não tânicas do extrato, variaram de 21,70% a 26,50%, tendo estes valores sido encontrados nos frutos das árvores 2 e 4, respectivamente. O índice de Stiasny, que representa a reatividade dos polifenóis no extrato frente ao formaldeído em meio ácido, variou de 20,19% a 24,45%, respectivamente, para as árvores 4 e 2. Quanto aos valores de teor de taninos condensados, estes variaram de 5,00% a 5,34%, respectivamente, nas árvores 3 e 5. Sendo os valores médios obtidos em percentual de taninos condensados de 5,23%, teor de sólidos totais de 24,18%, e Índice de Stiasny de 21,85%.
4. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS
A espécie em estudo apresentou baixo teor de taninos condensados (5,23%), e consequentemente baixo teor de sólidos totais e Índice de Stiasny.
5. BIBLIOGRAFIA
DINIZ, C. E. F.; PAES, J. B.; MARINHO, I. V.; LIMA, C. R. Avaliação do potencial tanífero de seis espécies florestais de ocorrência no semi-árido brasileiro. In: CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO, 8., São Paulo, 2003. Anais... São Paulo: SBS/SBEF, 2003. Cd Rom.
GUANGCHENG, Z.; YUNLU, L.; YAZAKI, Y. Extractive yields, Stiasny values and polyflavonoid contents in barks form six acacia species in Australia. Australian Forestry, Queen Victoria, v. 554, n. 2, p. 154-156, 1991.
HASLAM, E. Chemisty of vegetable tannins. London: Academic Press, 1966. 170p.
PANSHIN, A.J.; HARRAR, E.S.; BETHEL, J.S.; BAKER, W . J. Forest products: their sources, production, and utilization. 2. ed. New York: McGraw-Hill, 1962. 538 p.
PIZZI, A. Tanin-based adhesives. In: PIZZI, A. (Ed.) Wood adhesives: chemistry and technology. New York: Marcell Dekker, p.177-246, 1993.
WENZL, H.F.J. The chemical technology of wood. New York: The Academic Press, 1970. 692 p.
AGRADECIMENTOS
A CAPES e a FAPEMIG.