Programa de exercícios e orientações domiciliares na dor e mobilidade de indivíduos com osteoartrose
Introdução: A osteoartrose de joelhos (OA) é uma das doenças mais prevalentes e uma das principais causas de incapacidade nos idosos. Programas de reabilitação envolvendo exercícios físicos são recomendados para redução da dor e função física dos idosos com OA de joelhos. Entretanto, um desafio atual na intervenção dos idosos acometidos por esta doença é o desenvolvimento de programas que sejam viáveis para serem realizados no domicílio, considerando o caráter crônico da doença. Desta forma, o objetivo foi avaliar o efeito de um programa de exercícios com orientações domiciliares na dor e mobilidade de indivíduos com osteoartrose (OA) de joelhos. Metodologia: Esta série de casos faz parte de um projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Saúde (CAAE: 61531116.6.0000.5149). Participaram seis indivíduos (66,5+7 anos) atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Belo Horizonte. O questionário Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index e os testes Timed up and Go, sentar e levantar da cadeira 30 repetições, velocidade de marcha (6 metros) e subir e descer escadas foram utilizados. Os examinadores não tiveram contato com os participantes durante a intervenção. O programa de intervenção constou de 8 encontros semanais na UBS, supervisionados por fisioterapeuta treinado, e orientações com material para realização dos exercícios no domicílio. Para a comparação dos desfechos antes e após a intervenção, foi realizado teste t de student pareado, com nível de significância em 0.05. Resultados: Metade dos participantes relataram ter dor há mais de 2 anos e já realizaram fisioterapia para a OA. Entretanto, apenas 16,7% dos participantes haviam recebido informações sobre a doença. Todos os participantes compareceram em pelo menos 75% dos encontros. Houve aumento significativo na velocidade de marcha (p=0,012; IC 95%: 0,32-1,57; d=0,71). Observou-se melhora no desempenho de todos os testes, mas sem alcançar significância estatística (tamanhos de efeito variaram entre 0,11 e 0,17). Considerações finais: Os resultados demonstraram que a maior parte dos indivíduos nunca havia recebido orientação sobre a doença, evidenciando a necessidade de programas de educação em saúde para os indivíduos com OA de joelhos. O programa se mostrou viável e com boa adesão. Adicionalmente, foi observada melhora na velocidade de marcha dos participantes. Não houve melhora nos demais desfechos, entretanto o tamanho amostral foi insuficiente. Assim, um programa de exercícios com orientações domiciliares pode ser uma alternativa para a melhora da função de indivíduos com OA de joelhos e viável para a aplicação na Atenção Primária à Saúde.