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Prevenção universal ao uso de drogas: em que devemos investir?

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As ações de prevenção universal ao uso de drogas podem ser alicerçadas em intervenções estruturadas ou em políticas públicas. Para ambos os grupos de ações preventivas, há evidência consistente de eficácia e efetividade. No entanto, no geral, os tamanhos de efeito destas ações costumam ser pequenos, especialmente entre os programas escolares, e sujeitos a ampla variabilidade decorrente do processo de implantação das estratégias. No geral, a classe de intervenções mais eficazes são as políticas públicas para controle da venda e consumo das drogas lícitas, como álcool e tabaco. Assim, políticas que tratam da taxação, venda para menores, publicidade, beber e dirigir, densidade de pontos de venda, entre outras, quando bem implantadas, estão hoje na categoria de ações de prevenção mais custo-efetivas no enfrentamento dos danos associados ao uso destas drogas. Na classe de intervenções preventivas universais escolares, as intervenções mais eficazes são aquelas manualizadas e baseadas no modelo teórico de habilidades psicossociais, também chamadas de habilidades de vida. No entanto, os resultados das intervenções baseadas em evidências dependem da qualidade da aplicação do programa, estando sujeitos à influência do facilitador, do tempo de implantação (dose), do perfil de desenvolvimento cognitivo dos participantes, além das influências do meio no qual ela está sendo implantada. O movimento internacional atual é o de identificar os elementos-chave que influenciam o resultado destes programas, além de formas adequadas de disseminação em larga escala, após avaliação consistente de eficácia e efetividade. No Brasil, ainda tentamos convencer escolas, gestores e comunidades da importância da avaliação de programas de prevenção ao uso de substâncias, no intuito de proteger a população de possíveis intervenções nocivas e garantir bom uso dos recursos humanos e financeiros nas diversas instituições envolvidas. Há muitas ações sendo realizadas, mas são quase inexistentes os estudos científicos que determinem seus reais efeitos na redução da iniciação ao uso de drogas, progressão do consumo e dos danos associados a ele.