O PRINCÍPIO DA INTEGRALIDADE NA INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL OFERTADA EM UM SERVIÇO DE SAÚDE
A integralidade é um dos princípios norteadores do Sistema Único de Saúde, que compreende o sujeito inserido no contexto. Nesse sentido, esse trabalho tem a intenção de avaliar aplicação da integralidade na intervenção psicossocial realizada em um serviço de saúde da região Centro-Oeste do Brasil. O método foi análise documental dos prontuários de 25 adolescentes atendidos nos anos de 2015 a 2017, oriundos de uma intervenção psicossocial para adolescentes que cometeram abuso sexual. Nesses documentos foram coletadas informações a respeito do contexto sócio- jurídico e questões vinculadas á saúde referente ao período do atendimento ofertado, bem como, os encaminhamentos realizados. Diante disso, foi observado que esses adolescentes pertenciam a um contexto marcado por violências estruturais, físicas, psicológicas e sexuais. Além disso, esses adolescentes apresentam transtornos mentais de cunho emocional e de aprendizagem, assim como diversos níveis de acuidade visual. Em relação ao processo de responsabilização, verifica-se que 17 adolescentes já haviam iniciado algum procedimento decorrente à violência cometida. Sobre os encaminhamentos, nota-se que o atendimento referente á prática do ato ofensivo foi promovido devido a notificação realizada por instituições de educação, segurança pública e assistência social. No decorrer da intervenção foram feitos encaminhamentos referente a especialidades da psiquiatria, no setor saúde. Diante dos resultados apresentados foi percebido que os usuários pertencentes à intervenção supracitada são sujeitos com múltiplas carências, no entanto, o atendimento ofertado promove processos de cuidado apenas à questão da ofensa sexual praticada. Essa informação é uma dos efeitos da dificuldade da rede de proteção social em atender esse adolescente devido ao comportamento ofensivo cometido. De forma que apesar dos profissionais de saúde identificar outras demandas a serem cuidadas, não há como proceder devidos os estigmas recebidos por esse adolescente. Desta maneira, nota-se que os profissionais possuem noção da integralidade do usuário, quando procuram obter informações a cerca dos fatores biopsicossociais que constituí esse jovem. Apesar disso, essa compreensão não é possível ser aplicada na intervenção, pois os estigmas correlacionados á prática da ofensa sexual torna-se maior do que o sujeito. Desta maneira, a saúde e os demais setores do Sistema de Garantia de Direitos construírem práticas de interrupção do ciclo da violência sexual, no atendimento ao autor.