MASCULINIDADE HEGEMÔNICA NO CONTEXTO DO HIV/AIDS
Na decada de 80 a AIDS e o vírus do HIV foram descobertos em diversas zonas ao redor do globo. Segundo dados da UNAIDS (2016) até o final de 2015, estimou-se 36,7 milhões de pessoas no mundo vivendo com HIV, segundo o boletim epidemiológico (2016) a principal via de transmissão em indivíduos com +13 anos de idade é sexual, tanto em homens (95,3%) quanto em mulheres (97,1%). Entre os homens, observou-se um predomínio da categoria heterossexual.
O trabalho buscou estabelecer parâmetros mais claros entre HIV/AIDS e a masculinidade hegemônica relacionando as bibliografias. Onde se retrata como dominante o sujeito conquistador, forte, provedor, simultaneamente não assumindo o papel de responsável pelo cuidado, apresenta comportamentos lascivos, entre diversas características que, reforçadas socialmente e consequentemente repetidas. Tais fatores colocam os homens em situações de vulnerabilidade ao relacionar com a HIV/AIDS ao vincular os aspectos individuais, sociais e programáticos esses comportamentos se tornam facilitadores da disseminação da epidemia.
Na primeira semana foi feita a apresentação do trabalho do plantão psicológico em todos os grupos. Os plantões foram realizadosem turnos de 5 horas diárias, todos os dias de funcionamento da ONG. Os atendimentos tiveram duração média de 1 hora. A análise de resultados aconteceu mediante análise do conteúdo levantado durante os atendimentos e em reuniões de estágio, visto que não havia exigencia de que se falasse com apenas um dos profissionais.
A abordagem mostrou-se relevante na realidade do sujeito, destacando contudo, a dificuldade na obtenção de resultados para este trabalho, visto que na rotina dos plantões a maioria dos atendimentos feitos foram com mulheres (66%), ao comparar essa porcentagem com a do colega de estágio que atendeu 42% do total de atendimentos 54% desses atendimentos eram homens. Ao levar esses dados à reunião do estágio foi relembrado uma fala citada pelo colega de campo: “me lembrei até que um cliente uma vez disse em atendimento que era mais fácil conversar comigo sobre certos temas, pois sou homem e teoricamente o entendo”. Acerca dessa dificuldade foi percebido também que o conteúdo dos temas tragos para o atendimento eram dentro do contexto hegemônico, de domínio feminino.
O trabalho na instituição clarificou as formas de dominação da masculinidade na prática da vida de um indivíduo. Assim como mulheres que repetem e reforçam os estereótipos também se colocam em posição de vulnerabilidade frente ao HIV, ressaltando a necessidade de políticas públicas de prevenção com um viés de gênero.