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INTERSECCIONALIDADE DE GÊNERO E DE RAÇA NA CONFORMAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

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Introdução. No Brasil, as mulheres negras aparecem como maioria das vítimas em diversos indicadores de violações de direitos humanos. No caso da violência de gênero, todas as mulheres estão vulneráveis, mas o racismo aparece como componente irrefutável desta violência, quando se trata de mulheres negras: o racismo de gênero. O objetivo deste trabalho é mostrar o quanto a raça é elemento fundamental para a compreensão e enfrentamento ao processo de violação de direitos de mulheres e meninas negras. Elas sofrem violências de maneiras similares às outras mulheres e meninas, mas há diferenças na forma como estas violências as atingem. Método. A análise de dados como os do Atlas da Violência (2018) do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam um contexto de desigualdades em que essa parcela da população está mais suscetível à violência. Os aportes teóricos do pensamento negro contemporâneo e da epistemologia feminista negra servem de base para esta investigação, realizada por meio de levantamento bibliográfico e análise de informações. Resultados e/ou impactos. Os dados analisados são do Sistema Único de Saúde (SUS), que também nos alerta para a subnotificação de crimes como o de estupro. No Brasil, morrem assassinadas 71% mais mulheres negras do que brancas, sendo que, nos últimos dez anos, os números de assassinatos caíram 8% entre as mulheres brancas e aumentaram 15,4% entre as negras. As informações desagregadas por gênero e por raça apontam o quanto as representações sociais de mulheres negras conformam estereótipos e autorizam violências como o estupro e o abuso sexual infantil: estas são vistas como hiperssexualizadas, lascivas e disponíveis para o sexo. Estas representações estão à serviço de sua desumanização e da reafirmação do ser branco como sujeito de humanidade, de privilégios e de direitos, justificando o racismo em uma condição historicamente construída. Considerações finais. Mulheres negras como maioria das vítimas de violência de gênero não é um fenômeno, faz parte da estrutura patriarcal-racista da sociedade. Nesse contexto, a situação se agrava para as mulheres negras quando estas necessitam acessar os serviços públicos de saúde e vivenciam situações de discriminação baseadas no gênero e na raça por parte de profissionais de saúde. O racismo institucional provocado pelo Estado aponta a falha das instituições públicas em garantir que todas as mulheres tenham acesso aos seus direitos fundamentais, assim como a sua incapacidade em contribuir para a reversão das desigualdades.