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HIPNOSE E AUTONOMIA DO SUJEITO COM DORES CRÔNICAS

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Introdução: A dor crônica traz grande custo emocional e financeiro ao sujeito portador, que se depara com um sistema de saúde focado no sofrimento agudo e, frequentemente, incompreensão de amigos e familiares. Concebemos a experiência de dor crônica enquanto sistema complexo de experiência que se organiza a partir de dimensões subjetivas e fisiológicas, desvencilhando-se de uma ótica causalista e linear que considera a experiência de dor isenta de subjetividade. O presente trabalho visa ressaltar o processo hipnótico como um caminho de desenvolvimento de autonomia em sujeitos com dores crônicas, partindo de duas ilustrações clínicas dos atendimentos hipnoterápicos de abordagem ericksoniana realizados pelo grupo “Complexidade, Hipnose e Subjetividade nas Relações Terapêuticas” (CHYS) no Centro de Atendimento e Estudos em Psicologia da Universidade de Brasília (CAEP-UnB). Desenvolvimento do trabalho: O grupo CHYS, coordenado pelo Prof. Maurício Neubern, conta com alunos de graduação, pós-graduação, e voluntários da área de psicologia no atendimento psicoterápico de sujeitos com diagnóstico de dores crônicas pela abordagem ericksoniana, atuando exclusivamente no CAEP-UnB. A prática psicoterápica é norteada por princípios como a comunicação indireta das sugestões hipnóticas e a potencialidade inerente ao sujeito de evocação autônoma de fenômenos hipnóticos, buscando um papel ativo do sujeito na evocação de recursos terapêuticos e possíveis reconfigurações. A finalidade do grupo com este público é desenvolver a autonomia do sujeito frente as dimensões corpóreas, históricas, sociais e relacionais que permeiam sua demanda, expandindo os potenciais de saúde que já apresenta. As ilustrações clínicas utilizadas referem-se aos atendimentos de uma mulher de 58 anos com artrite reumatoide, e um homem de 67 anos com dores intensas na coluna após uma queda, ambos já documentados em literatura científica pelo grupo. Impactos: A hipnoterapia possibilitou aos sujeitos um contexto no qual puderam: desenvolver novas formas de percepção e relação com os elementos subjetivos de suas experiências de dor, reduzindo sua frequência e intensidade concomitantemente com o sentimento de impotência e; modificar a forma que se posicionavam em relações pessoais, evitando situações de desqualificação e dominação. Tais mudanças permitem pensar a metodologia clínica em questão enquanto forma de favorecer funcionamentos mais autônomos, o processo hipnótico direciona o sujeito ao papel de co-criador do seu contexto de saúde, capaz de reconfigurar suas experiências a partir de suas próprias produções sensórias, imagéticas e simbólicas. Considerações finais: Essa perspectiva de sujeito implica em novas possibilidades de intervenção interdisciplinar considerando sua capacidade de produção e reconfiguração de experiências sensórias e vividas.