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EFEITOS DO SUPERENDIVIDAMENTO SOBRE A QUALIDADE DE VIDA E A SAÚDE MENTAL DE TRABALHADORES BANCÁRIOS: IDENTIFICANDO ESTRATÉGIAS PREVENTIVAS

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Introdução. O superendividamento pode ser considerado uma importante preocupação em saúde pública, tendo em vista seus efeitos devastadores sobre a vida humana, incluindo comprometimento da capacidade laboral, isolamento social, ansiedade, depressão e até mesmo suicídio. Configura-se quando um devedor, pessoa física, de boa-fé, se vê impossibilitado de cumprir suas obrigações financeiras atuais e futuras. No Brasil, mudanças econômicas importantes ocorridas nos últimos 25 anos trouxeram estabilidade econômica, redução em iniquidades na distribuição de renda e ampliação do acesso ao crédito; entretanto, tais fatores, somados à ausência de políticas públicas ou privadas de promoção ao consumo responsável, acarretaram um aumento expressivo de situações de superendividamento na população. Trabalhadores de instituições financeiras costumam receber incentivos para comercializar produtos e negociar tempestivamente junto aos clientes, o que pode incentivar a contratação irresponsável do crédito e, por consequência, contribuir para situações de superendividamento da clientela. Esse trabalho teve por objetivo propor um diálogo entre o tema do superendividamento, sob a ótica da psicologia da saúde, e a temática do sofrimento ético, sob o olhar da psicodinâmica do trabalho. Método. Revisão narrativa da literatura sobre superendividamento e adoecimento do trabalhador bancário foi realizada no intuito de se estabelecer uma possível relação entre os fatores. Resultados. Uma das causas do superendividamento é a facilidade de aquisição de crédito junto a instituições financeiras. O sofrimento ético é caracterizado quando o trabalhador, para atender às pressões oriundas da organização do trabalho, emite comportamentos com os quais discorda moralmente. No ambiente bancário, o sofrimento ético possui estreita relação com coações imputadas a trabalhadores para venderem produtos desnecessários aos clientes ou ofertarem crédito, mesmo quando está nítido que o cliente não precisa daquele serviço ou não deveria mais contratar empréstimos. Consequências do sofrimento ético sobre a saúde dos trabalhadores é similar às consequências do superendividamento. Considerações finais. O tratamento e a prevenção das consequências adversas do superendividamento sobre a saúde requer tanto uma abordagem individual, visando o combate direto dos sintomas, quanto coletiva, que inclui ações junto à população, incluindo o esclarecimento em relação ao uso do crédito e consumo, com foco na promoção de saúde financeira e prevenção do superendividamento. Entretanto, um mecanismo de regulação das práticas bancárias, assim como discussões que envolvam aspectos éticos e morais relacionados ao trabalho não devem ser descartados.