A CENTRALIDADE DA REDE DE AMIZADES NA PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA NO NAMORO
Os amigos são uma fonte primária de influência normativa na adolescência, desempenhando um papel crucial na modelação das experiências amorosas nessa etapa do ciclo de vida. Em geral as relações de namoro emergem no contexto da rede de amizades, estando os amigos presentes em todas as etapas do namoro, desde o desenvolvimento, a manutenção e o término dos relacionamentos. Os amigos são potenciais espectadores de comportamentos abusivos, constituindo a principal fonte de ajuda em situações de violência. Embora possam atuar como fator de proteção, a baixa qualidade da amizade tem sido apontada como um preditor chave da violência no namoro, sendo um fator de risco que está associado a experiências de perpetração e vitimização nesse contexto. Para incluir os amigos no centro dos esforços de prevenção à violência no namoro uma compreensão mais abrangente das amizades a partir da perspectiva de rede social torna-se necessária. A proposta desse trabalho é discutir a centralidade da rede de amizades no desenvolvimento de tecnologias de prevenção à violência no namoro. Será apresentado um relato de experiência sobre o desenvolvimento, a implementação e a avaliação de eficácia de uma intervenção baseada em evidências e apoiada em múltiplas teorias – Modelo Bioecológico, Teoria Cognitivo Social, Modelo de Intervenção do Espectador e Teoria das Redes Sociais. O modelo lógico da intervenção destaca o aumento da empatia, enquanto fator de proteção no nível individual, e a diminuição de dois fatores de risco no domínio os pares – a baixa qualidade da amizade e o número de amigos envolvidos em namoros violentos. O estudo sinaliza a necessidade de mobilizar comportamentos de ajuda na rede de amizades, utilizando no desenho da intervenção duas estratégias de ponta na prevenção à violência no namoro como componentes críticos: a educação de pares e abordagem do espectador. Para aumentar a boa vontade e a intenção de intervir de modo efetivo e seguro em situações de violência no namoro é necessário educar os adolescentes sobre o papel do espectador, e, sobretudo, dar relevo a qualidade da amizade como tarefa chave no desenho de intervenções baseadas em redes sociais.