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Mindfulness entre universitários: Viabilidade e possíveis relações com manejo da impulsividade e binge-drinking

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Introdução: Mindfulness é uma habilidade de atenção plena ao momento presente, podendo ser aprimorada com práticas de meditação. Na área de saúde, as práticas são frequentemente ensinadas em grupo, por meio de protocolos estruturados. Embora com resultados comprovados para Prevenção de Recaídas entre pacientes dependentes de álcool e outras drogas, faltam estudos sobre intervenções baseadas em Mindfulness voltadas prevenção de riscos entre populações não clínicas. Com o objetivo de investigar a possível contribuição de Mindfulness no manejo da impulsividade e binge-drinking entre universitários, foram realizados dois estudos. Métodos e Resultados: No primeiro estudo, de recorte transversal, 426 universitários participaram de uma pesquisa online. Análises de regressão linear indicaram Mindfulness (FFMQ), especialmente a faceta de “ação consciente”, como fator protetor em relação a impulsividade (UPPSP), consumo de álcool (AUDID-C) e suas consequências (RAPI). A partir de então, foi realizado um segundo estudo, para avaliar a viabilidade da oferta de práticas de Mindfulness entre estudantes de Medicina da Unifesp. Sob a coordenação de uma aluna de graduação e uma professora da própria Universidade, foi ofertado um protocolo de práticas adaptado do MBRP (Mindfulness-based Relapse Prevention), em 8 encontros semanais de 2 horas, conduzidos por profissionais habilitados em MBRP. Os resultados foram coletados por meio de diários de campo e entrevistas individuais pós intervenção. Foram compostos 4 grupos de 15 a 20 estudantes, convidados via Facebook, pela aluna do curso. A proposta foi amplamente aceita, sendo as vagas preenchidas em menos de uma hora após cada chamada. Ao todo, 76 estudantes declararam interesse, 56 compareceram no primeiro encontro e 30 concluíram a maior parte do protocolo. Os benefícios referidos pelos participantes em entrevista individual pós intervenção foram: maior capacidade de concentração, controle de emoções (principalmente ansiedade), atenção ao autocuidado e à saúde mental. Os desafios apresentados pelos participantes para a incorporação das práticas foram, no geral, falta de tempo e cansaço (sono). Foi enfatizado o valor do formato em grupo, sendo os encontros referidos como espaços importantes de acolhimento e partilha de experiências e aprendizados. Considerações finais: Os resuldados dos dois estudos sugerem a pertinência e viabiliade de práticas de mindfulness na prevenção de comportamentos de risco entre universitários.