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Avaliação de processo do Programa Famílias Fortes: utilizando a Teoria Realística para compreender mudanças familiares

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A intervenção do tipo preventivo é um dos pilares fundamentais para tratamento e controle do consumo de substâncias. Revisões sistemáticas da literatura apontam evidências que programas preventivos destinados às famílias são mais eficientes quando comparados a programas que focam somente em pais ou adolescentes. Nessa perspectiva, o Programa Famílias Fortes (PFF) constitui-se em uma intervenção complexa fundamentada na Teoria da Aprendizagem Social, Teoria da Ecologia Social e Teoria de Sistemas Familiares, destinado a famílias com jovens de 10 a 14 anos. O PFF busca, como objetivos intermediários, desenvolver habilidades parentais (PP) e melhorar a qualidade da relação familiar (QRF), enquanto fatores protetivos ao uso de substâncias. A pergunta norteadora desta pesquisa é para quem, em que circunstâncias e por que o PFF melhora os indicadores de práticas parentais e qualidade da interação familiar? Este estudo tem como objetivo compreender como a intervenção gerou mudanças, utilizando como base, a Teoria Realística (TR). A TR consiste em uma avaliação do tipo driven-theory que analisa a associação entre mecanismos (M), que descrevem o que dos programas e/ou intervenções permitem que sejam gerados os resultados, não sendo elementos do programa em si, mas os recursos que eles ativam para que sejam efetivos; contexto (C), descreve que recursos, condições e circunstâncias são relevantes para a operação dos mecanismos, que serão ativados somente diante da presenças desses recursos, condições e circunstâncias específicos; e resultados (R) de ação do PFF, compreendem as consequências pretendidas e não intencionais de programas, resultantes da ativação de diferentes mecanismos em diferentes contextos. Será adotado delineamento qualitativo. Comporão a amostra deste estudo, quatro famílias que participaram do PFF, implementado nos estados Ceará (CE), Rio Grande do Norte (RN), Sergipe (SE) e Pernambuco (PE), sendo duas que obtiveram resultados significativos de melhoria nos desfechos de PP e QRF e duas que obtiveram piora; bem como, os facilitadores que conduziram as sessões de PFF das famílias participantes deste estudo. Os dados serão coletados por meio de entrevista face-a-face, após 12 meses de follow-up, que será gravada e, posteriormente, transcrita. Os dados serão analisados utilizando-se a estratégia de análise CMO, que visa identificar a teoria de ação do programa. A pesquisa tem previsão de início de coleta de dados no segundo semestre de 2018. Espera-se desvelar aspectos que se configuram como barreiras e facilitadores pessoais, organizacionais e contextuais ao alcance dos objetivos do PFF e de programas de intervenção do tipo familiares no Brasil.