A PERCEPÇÃO DOS PACIENTES COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA SOBRE O USO DA OXIGENOTERAPIA DOMICILIAR PROLONGADA
Introdução: A oxigenoterapia Domiciliar Prolongada (ODP) é a terapia não farmacológica mais efetiva para pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e que apresentam hipoxemia grave. Estudos relatam benefícios, tanto na dispneia, como diminuição nas internações e visitas ao pronto socorro, porém esta intervenção causa dependência física e emocional, ocasionando desconforto aos usuários. Objetivo: Conhecer a visão dos pacientes com diagnóstico de DPOC sobre o uso da ODP. Método: Trata-se de estudo de caráter qualitativo. Foram entrevistados 14 pacientes atendidos no Ambulatório de Oxigenoterapia do Hospital das Clínicas de Botucatu, da Faculdade de Medicina de Botucatu com diagnóstico de DPOC. Foi utilizada entrevista semi-estruturada, com as seguintes questões norteadoras: “O que significa para você usar o Oxigênio?”, “O que mudou em sua vida depois que você começou a usar a ODP?”, “O que mudou na vida das pessoas que convivem com você em sua casa depois de começar a usar ODP?” e “ você tem atividade de lazer?” . As entrevistas foram avaliadas pela “Análise do Conteúdo de Bardin”, técnica que consiste em depurar descrições de conteúdo muito aproximadas, subjetivas, e tem a finalidade de pôr em evidência, com objetividade, a natureza e forças relativas dos estímulos a que o sujeito é submetido. Aprovado pelo Comitê de Ética CAAE 40762114.0.0000.5411. Resultados: Os pacientes tinham idade média de 73 + 10,.4anos, sendo 6 do sexo feminino, 1 analfabeto e 13 com escolaridade inferior ao ensino médio. Todos ex tabagistas, fumava em média 25 + 15,9 cigarros ao dia. O tempo médio de uso de O2 foi 3,5 ±2,0 anos, a média diária de horas de uso foi 18,8 ± 4,6. Das falas surgiram quatro categorias: Fortalezas da terapia: melhora nos sintomas, da qualidade de vida e do aspecto emocional. Desafios da terapia: isolamento social, dificuldade no envolvimento emocional, piora no autocuidado, funcionalidade do concentrador O2 e acessórios e aspectos econômicos. Alterações emocionais, sociais, da vida cotidiana e econômicas na vida do usuário: processo de adaptação com dificuldades de aceitação, mudança na autoestima e da personalidade e mudança das atividades de lazer. Alterações na relação familiar do usuário: isolamento social do cuidador, envolvimento emocional dos familiares e comprometimento do cuidador. Conclusão: São nítidas as mudanças no cotidiano e do comportamento dos usuários, frente a isso, é fundamental que a equipe esteja preparada para fornecer educação adequada a eles, para otimizar a utilização e o cuidado, diminuindo medo e barreiras com o tratamento.