PROGRAMA DE HABILIDADES SOCIAIS E DE VIDA PARA PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL E PREVENÇÃO DO SUICÍDIO COM UNIVERSITÁRIOS
Introdução: Pesquisadores têm evidenciado que o contexto universitário é atualmente caracterizado por relações interpessoais individualistas, competitivas e pautadas por práticas preconceituosas e discriminatórias que podem inviabilizar o surgimento de fatores de proteção do suicídio, o que torna os universitários um segmento da sociedade brasileira mais vulnerável a tentativas e atos suicidas. Melhorar a qualidade das relações interpessoais por meio do desenvolvimento e ampliação do repertório de habilidades sociais e de vida tem sido indicado como uma das formas de propiciar condições de promoção da saúde mental dos universitários. Nessa direção, o presente estudo teve como objetivo apresentar a experiência uma ação extensionista que implementou um Programa de Habilidades Sociais e de Vida para a promoção de relações interpessoais positivas e a prevenção de fatores de risco ligados à maior incidência de suicídio no curso de vida. Método: Participaram 22 alunos do curso de pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O programa com medidas de avaliação de processo e pré e pós-teste teve sete encontros semanais, com duração de duas horas. Foram trabalhados nos encontros os seguintes temas: (1) campo teórico-prático das habilidades sociais e habilidades de vida; (2) expressar emoções, automonitoria e autocontrole; (3) empatia; (4) expressar sentimentos; (5) assertividade e pensamento crítico; (6) ética, valores de convivência, direitos humanos e respeito à diversidade sexual, gênero e ético-racial; (7) resolver problemas interpessoais e lidar com a pressão do grupo. A avaliação de processo envolveu o preenchimento de protocolos pela equipe que coordenou os encontros, durante todas as sessões. Na avaliação inicial e final os participantes responderam ao Inventário de Habilidades Sociais, Questionário de Suporte Familiar, Comunidade e Institucional, Escala de Autoeficácia Generalizada e Questionário demográfico. Resultados e/ou impactos: A avaliação de processo indicou confiança entre os estudantes e os pesquisadores, satisfação com os encontros e revelou aumento no respeito à diversidade sexual, de gênero e ético-racial. As análises estatísticas com medidas repetidas indicaram que após a intervenção os estudantes apresentaram níveis maiores de habilidades sociais de enfrentamento e autoafirmação com risco, autoafirmação na expressão de sentimento positivo e autocontrole da agressividade, nas crenças de autoeficácia e no suporte social familiar e da comunidade. Considerações finais: O programa se mostrou efetivo para melhorar as relações interpessoais no contexto universitário, promovendo fatores de proteção e prevenindo fatores de risco associados ao suicídio. Com as informações obtidas será possível realizar outras intervenções com outros grupos da população universitária.