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Programa de Habilidades Sociais e de Vida com adolescentes em conflito com a lei

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Introdução: Atualmente milhares de adolescentes brasileiros cumprem medida socioeducativa devido à uma infração severa. Esses adolescentes são percebidos como ameaçadores por grande parte da população, o que gera contextos de discriminação e de vulnerabilidade social. Dessa forma, entende-se a importância de desenvolver ações de apoio ao egresso com foco na reinserção social dos adolescentes em conflito com a lei. A agenda da psicologia tem buscado promover fatores de proteção, para além da prevenção de comportamentos indicados como de risco para o desenvolvimento dos jovens, como a evasão escolar, uso e abuso de drogas e comportamentos sexuais de risco. Nessa direção, o presente estudo teve como objetivo implementar e avaliar os efeitos de um Programa de Habilidades Sociais e de Vida no repertório de habilidades sociais, nas crenças de autoeficácia e na percepção de apoio social de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de semiliberdade. Método: Participaram sete adolescentes que cumpriam medida em uma unidade socioeducativa de restrição de liberdade na cidade do Rio de Janeiro. O programa com medidas de avaliação de processo e pré e pós-teste teve sete encontros, com duração média de uma hora e meia. Foram trabalhados nos encontros os seguintes temas: (1) expressar emoções, automonitoria e autocontrole; (2) empatia; (3) expressar sentimentos; (4) ética, valores de convivência, direitos humanos e respeito à diversidade sexual, gênero e ético-racial; (5) assertividade; (6) resolver problemas interpessoais e lidar com a pressão do grupo. A avaliação de processo envolveu o preenchimento de protocolos pela equipe que coordenou os encontros, durante todas as sessões. Na avaliação inicial e final os participantes responderam ao Inventário de Habilidades Sociais para Adolescentes, à Escala de Autoeficácia Generalizada, à Escala de Percepção de Apoio Social e ao Questionário demográfico. Resultados e/ou impactos: A avaliação de processo indicou que os participantes aumentaram a frequência de relatar problemas, sentimentos e causas dos próprios comportamentos, o que sinalizou satisfação com os encontros e reflexão sobre suas relações interpessoais. As análises estatísticas realizadas por meio do Método JT mostraram que após a intervenção a maior parte dos adolescentes apresentaram mudança confiável nos níveis de habilidades sociais de autocontrole, empatia e assertividade. Considerações finais: O programa se mostrou efetivo na promoção de fatores de proteção no contexto socioeducativo. As informações obtidas poderão ser utilizadas para subsidiar outras intervenções com adolescentes em conflito com a lei e em outras situações de vulnerabilidade.