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PESQUISAS QUALITATIVAS EM SAÚDE MENTAL

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O avanço da pesquisa qualitativa para desenhos participativos e avaliativos ao investigar processos grupais ou implementação de políticas públicas, a partir da experiência das pessoas beneficiadas por elas, coaduna-se com princípios da garantia de direitos no contexto da Reforma Psiquiátrica. Destacamos duas experiências realizadas a partir da Rede de Atenção Psicossocial: I) investigação de barreiras e facilitadores para promoção de protagonismo de usuários de Centros de Atenção Psicossocial – CAPS do DF, com financiamento OPAS e parceria com GDF; II) pesquisa avaliativa sobre implantação do Programa De Volta Para Casa – PVC como estratégia de desinstitucionalização e impacto na vida dos beneficiários, com financiamento do Ministério da Saúde e parceria com pesquisadores/as de cinco estados.

A investigação nos CAPS trata de compreensão analítica da complexidade do fenômeno, cruzamento de informações e busca de interpretações abrangentes, com levantamento de dados secundários, observação, entrevistas, grupos focais e oficinas de discussão. A pesquisa do PVC partiu da vivência de pessoas originárias de hospitais psiquiátricos em onze cidades, concebida como multiterritorial, multi-métodos e estruturada em três dimensões: reconstrução da trajetória histórico-política da criação do Programa, utilizando análise documental, entrevistas individuais e grupos focais; aprofundamento no cotidiano dos beneficiários, com entrevistas e narrativas inspiradas no método etnográfico; e produção de cenários prospectivos. Ambas experiências utilizaram o instrumento Comitê de Acompanhamento de Pesquisa (CAP): espaço de alinhamento e deliberação do planejamento e desenvolvimento da pesquisa.

CAPS: construção de linha do tempo da saúde mental no DF, identificação de barreiras estruturais e no processo de trabalho, avaliação da qualidade dos serviços relacionada às práticas comunitárias, sendo fundamental a oferta de espaços de diálogo. PVC: identificaram-se marcos regulatórios, baixa produção acadêmica e elaboradas cerca de 10 narrativas por município. Observou-se o contexto e relações institucionais para criação e implantação do Programa; nítida mudança na vida das pessoas, principalmente na autonomia e contratualidade; e impactos gerais da gestão do PVC.

As experiências apontam questões relevantes da implantação, cenário atual e possibilidades de avanço nas políticas públicas de saúde mental, bem como a importância da participação de diferentes interlocutores/as como condicionante para pesquisas avaliativas no campo, o que interfere processualmente a pesquisa, a maneira de construção de dados, suas análises e encaminhamentos. O CAP se apresenta como ferramenta inovadora para as pesquisas avaliativas de quarta geração, instrumento efetivo para fazer junto, mesmo que não tenha sido usado em sua radicalidade, desde a concepção do projeto de pesquisa.