Estresse, qualidade de vida e adoecimento
A principal causa de morte no Brasil e no mundo é a doença cardiovascular, cuja etiologia inclui fatores evitáveis como algumas formas de estresse. O estresse é uma resposta do organismo a demandas externas ou internas, cuja solução é percebida como difícil ou inalcançável. Tanto o adoecimento quanto o estresse mediam a qualidade de vida, que também pode se tornar estressora, afetando e sendo afetada pelas condições de saúde. As implicações fisiológicas do estresse recaem especialmente sobre a atividade cardiovascular, funcionando como gatilho para o início ou agravamento do processo patológico, que é também um estressor. Objetivo: Investigar a correlação entre estresse, modo de enfrentamento e qualidade de vida, bem como a correlação dessas variáveis com o adoecimento cardiológico. Método: O estudo é quantitativo, correlacional, com previsão de 100 participantes portadores de doenças cardiovasculares, maiores de 18 anos, de ambos os sexos, recrutados por conveniência no ambulatório, clínica cardiológica e unidade de terapia intensiva do Hospital Universitário de Brasília, onde os dados estão sendo colhidos. Os instrumentos utilizados são o Inventário de Sintomas de Stress, o SF-36 de Qualidade de Vida e o Inventário de Estratégias de Coping de Folkman e Lazarus. Resultados esperados: Os resultados devem mostrar o índice de estresse entre os participantes, seus modos de enfrentamento, o nível de qualidade de vida e a possível correlação dessas variáveis entre si e delas com o adoecimento cardíaco. Serão realizadas medidas de tendência central, correlacionais e análise de regressão. Será utilizado o programa SPSS. Etapa atual da pesquisa: Participaram até o presente 40 voluntários, dentre os quais 60% apresentaram respostas de estresse. A fase mais frequente foi a de exaustão (58,3%), com predomínio de sintomas psicológicos (53,8%), seguida das fases de resistência (29,1%) e de quase-exaustão, ambas com índices de 50% para fatores físicos e psicológicos. Os modos de enfrentamento e índices de qualidade de vida não foram ainda analisados. Discussão: É esperado que os resultados apontem a possível correlação entre os níveis de estresse dos participantes com os modos de enfrentamento mais utilizados, os níveis de qualidade de vida e o adoecimento cardiovascular. O índice e direção das correlações encontradas poderá orientar a elaboração de propostas interventivas para treinamento de pessoas vulneráveis. O treinamento em modos de enfrentamento que possam reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida, por exemplo, poderá contribuir para a prevenção da doença cardiovascular ou do seu agravamento.