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Introdução: O papel do enfermeiro no campo da saúde da mulher, em especial no que tange à pobreza menstrual, refere-se a atuação com a advocacia em Saúde. Assim, a pobreza menstrual é um conceito que identifica meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade financeira, infraestrutura e conhecimento para que tenham plena capacidade de cuidar da sua menstruação. Conceito este que é alvo de estigmatização e tabu na sociedade por questões históricas. Apesar dos avanços tecnológicos e acesso à informação, os conhecimentos sobre menstruação e as dificuldades em lidar com a mesma representam desafios para parte da população feminina. O enfermeiro como parte da equipe de saúde pode ser o primeiro contato dessa usuária com o serviço, tem como papel a escuta e acolhimento o que oportuniza os demais cuidados à saúde. Entretanto, tal escuta pode identificar necessidades que impõem mediar a garantia de direitos à saúde como acesso a produtos e materiais, como absorvente higiênico. A oferta de absorvente higiênico faz parte do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) que contempla saúde preventiva, educativa e de ação integral que vislumbra a mulher em todo ciclo vital (BRASIL, 1984). Isso faz com que enfermagem seja corresponsável nos cuidados deste ciclo de vida. Objetivo: Conhecera experiência de meninas e mulheres em condição de pobreza menstrual e analisar o papel do enfermeiro no exercício da advocacia em Enfermagem. Método: Foi realizada uma pesquisa qualitativa, exploratória, descritiva em um bairro de cidade da região central do RS, com participantes de uma atividade interprofissional voltada para o suporte higiênico. Foram escolhidas a partir do método snowball, totalizando 09 pessoas entre meninas e mulheres menstruantes. Resultados: A partir das respostas obtidas identificou-se que a menstruação representa um empecilho no cotidiano de meninas e mulheres em vulnerabilidade, fazendo com que deixem de frequenter lugares por medo e insegurança por causa da pobreza menstrual e a enfermeira deve ser a voz das mulheres nesta realidade. Discussão: Saúde menstrual é um direito da mulher, porém em um país onde a indiferença impera sobre menstruação e pobreza menstrual, a existência de políticas públicas voltadas para garantir esse direito, bem como a presença de profissionais na rede de saúde que atuem a favor do exercício de cidadania destas mulheres, dá ao enfermeiro o papel fundamental na realização de consultas de enfermagem, que promovam a saúde menstrual, a retirada de dúvidas sobre higienização íntima, exercendo também o papel de advogado em saúde. Considerações finais: Constata-se que o tema envolve Direitos Humanos e Cidadania, no campo da saúde da mulher, oferece importante espaço para atuação ética do enfermeiro, seja através do acesso à informação, disponibilidade de materiais como absorvente, sua atuação pode colaborar para evitar o isolamento social dessas mulheres. O papel do enfermeiro é promover saúde, sendo o principal responsável pela criação de vínculo com o público alvo. Ao exercer advocacia em saúde defende o direito das mulheres à saúde de qualidade.
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