Obstinação terapêutica: dinheiro compra vida?

Vol 1, 2023 - 167030
Resumo
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Resumo

Introdução: Nesse projeto de pesquisa abordarei a relação entre pessoas com alto poder aquisitivo e a distanásia. De início é essencial entender o que é e como funciona essa prática, este procedimento tem como objetivo prolongar a vida de um paciente, através de meios artificiais e desproporcionais, mesmo que em estágio incurável. A respeito dessa questão devemos levar em consideração alguns aspectos, entre eles, o social, o familiar e a esfera pessoal. Retratando um mundo onde o motivo familiar é o principal fator para o incentivo a prática da distanásia, famílias que possuem uma maior condição financeira tendem a usar o dinheiro como ferramenta de coação, usando até mesmo de medidas jurídicas para com os funcionários e estabelecimentos dos serviços de saúde. Familiares esses que tentam de qualquer forma prolongar a vida de seu ente querido, esforços esses que acabam prejudicando os agentes citados. Prejudica o próprio paciente que se torna passivo e não pode tomar decisões por si próprio, apenas vive um embate com o que seria o curso natural de sua patologia; os familiares que acabam não vivendo de forma saudável as fases do luto; o sistema de saúde que acaba sobrecarregado tanto com o alto custo de mão de obra e tecnologias empregadas quanto com baixa rotatividade de leitos que permanecem ocupados pelos pacientes supracitados. Esse processo de dinheiro como uma forma de poder e a perspectiva que tudo pode ser pago é trabalhada no livro O que o dinheiro não compra, por Michael J. Sandel, “Vivemos numa época em que quase tudo pode ser comprado e vendido – e os valores de mercado – passaram a governar nossa vida como nunca. Não chegamos a essa situação por escolha deliberada. É quase como se a coisa tivesse se abatido sobre nós”, tendo em vista essa mercantilização da vida compreendemos melhor o fenômeno da distanásia em relação ao poder aquisitivo, onde tudo e todos somos mercadorias, e o dinheiro pode comprar tudo, inclusive a vida. Objetivo: A pesquisa busca relacionar o processo da distanásia com as elites sociais, e a relação do dinheiro com a sensação de poder e controle. Método: O método trabalhado nessa pesquisa será o hipotético-dedutiva com técnicas de pesquisa e revisão bibliográfica. Resultados: Os resultados esperados com essa pesquisa a ser desenvolvida perpassam pela análise social do poder que o dinheiro tem em relação aos procedimentos médicos, mesmo em procedimentos antiéticos e não indicados como a distanásia. Discussão: A discussão proposta é diretamente relacionada com o mundo capitalista onde vivemos, e o quão o dinheiro molda o comportamento das pessoas que vivem em tal realidade, mesmo com procedimentos ilegais e infrações éticas. Considerações finais: A partir de uma análise de um mundo capitalista liberal buscamos entender o quão poderoso o dinheiro é para a sociedade e o seu poder no mundo da saúde, onde mesmo com a ética médica não permitindo tais abordagens, pessoas com maior poder aquisitivo acreditam estar acima dessas normas e tentam burlar o sistema para garantir que alcancem suas aspirações.

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Eixo Temático
  • 13. Bioética: questões de início e final de vida
Palavras-chave
distanásia; Capitalismo; familiar