Guia de Boas Práticas Científicas

Vol 1, 2023 - 164691
Resumo
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Resumo

Introdução: Integridade é um termo de etimologia latina, derivado da palavra integritas (integritas, atis) que significa totalidade. Este substantivo vem do adjetivo inteiro (integer, gra, grum), que significa completo, perfeito, intacto, não tocado, assim expressando também sentido especificamente moral de pureza, inocência, honestidade, probidade. A raiz comum do substantivo e do adjetivo é o verbo tangere (tango, tangis, tangere), que significa tocar e que, precedido pelo prefixo negativo “em”, estabelece o significado etiológico original de integridade: O não tocar, ou melhor, o não tocado. “Integer” é o que permanece não tocado (em + tatctus = não + tocado = negação do ato de tocar, do sentido tátil, da intenção de influenciar) em sua totalidade (perfectus = perfeito, completamente acabado). Em síntese, etimologicamente, integridade diz respeito a totalidade incorruptível, em uma alegação articulada das esferas interpretativas e avaliativas aos quais o conceito é aplicado (PATRÃO NEVES, 2018; VALPY, 2005). Definir integridade é uma tarefa complexa, principalmente devido à sua aplicação em vários domínios distintos. Nesse contexto, é necessário esclarecer a noção de integridade, etimologicamente, através da identificação de diversos significados com os quais o termo pode legitimamente ser usado, particularmente no domínio da pesquisa científica e da inovação, inclusive com o advento de novas ferramentas tecnológicas para detecção e prevenção de fraudes. O exercício do ensino e da pesquisa científica envolve questões morais e éticas que, se não corretamente tratadas, geram violações, com prejuízos para sociedade, profissionais e instituições (CASSIMIRO, 2018). Objetivos: Pesquisar sobre integridade científica, pesquisar as diferentes vertentes da má conduta em pesquisa, autoria, Falsificação, Frabricação e Plágio-FFP, accountability, Conflito de Interesses-COIs, propriedade intelectual, assim como aspectos éticos de pesquisas em animais e com seres humanos, assédio moral e sexual no ambiente acadêmico, e Inteligência Artificial. Método: Revisão bibliográfica, levantamento e sistematização de dados, e concepção do Guia Boas Práticas Científicas. Resultado esperado: Elaborar um Guia de Boas Práticas Científicas, que poderá ser útil ao Ensino Médio, sobretudo para os jovens pesquisadores e diversos segmentos. Discussão: As definições e os procedimentos para lidar com alegações de má conduta formam uma base inicial para a autorregulação efetiva na pesquisa. Os seguintes quatro princípios fundamentais de integridade do European Code of Conduct for Research Integrity da ALLEA (2023), visam orientar o enfrentamento dos desafios práticos, éticos e intelectuais: confiabilidade (garantia da qualidade da pesquisa, refletida no design, metodologia, análise e uso dos recursos; honestidade (em desenvolver, empreender, revisar, relatar e comunicar pesquisas de maneira transparente, justa, completa e imparcial); respeito (pelos colegas, participantes de pesquisa, sociedade, ecossistemas, patrimônio cultural e meio ambiente); e responsabilidade (pela pesquisa desde a ideia até a publicação, por sua gestão, treinamento, supervisão e orientação), incluindo os seus impactos sociais mais amplos. Considerações finais: É imprescindível reconhecer que as violações de integridade científica afetam a sociedade. Gerir não é uma responsabilidade exclusiva dos cientistas, mas de toda a sociedade e em particular dos seus governantes, pesquisadores, discentes e profissionais.

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Instituições
  • 1 Fiocruz
Eixo Temático
  • 4. Ética em pesquisa e integridade científica
Palavras-chave
INTEGRIDADE; Ética; Políticas científicas; bioética; boas práticas