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Introdução: “Como é por exemplo que dá para entender, a gente mal nasce e começa a morrer” (Moraes, 1977). A consciência de sua finitude é fator crucial que coloca o ser humano num eterno dilema vida-morte: saber que o fim é inevitável o faz agir ou não de determinada maneira, fazer ou não determinadas escolhas. As certezas, ou as incertezas do amanhã, acompanham o ser humano por toda a vida. Entretanto, a forma de se encarar essa finitude não é uma constante. Assim, se para as principais civilizações da antiguidade a morte era encarada como um ritual de passagem, com o passar dos anos tornou-se um tabu, um temor que deve ser evitado a qualquer custo. Essa mudança de comportamento fez com que surgissem técnicas que desafiam a finitude natural da vida humana e buscam colocar a morte em xeque, como a questão da criogenia. Objetivo: O trabalho tem como objetivo avaliar a técnica da criogenia a partir de discussões bioéticas envolvendo o binômio vida-morte, a fim de responder à seguinte questão: é possível desafiar a finitude da vida? Método: A pesquisa será exploratória, utilizando o método hipotético-dedutivo e a técnica de pesquisa bibliográfica. Resultados: A presente pesquisa, que ainda se encontra em fase inicial, aponta que, apesar de toda a tecnologia em torno da criogenia e de todo o investimento das empresas nas pesquisas em relação ao tema, ainda não existem evidências científicas suficientes capazes de comprovar a sua eficácia. Discussão: Consistente na colocação de um cadéver inteiro (de cabeça para baixo) ou de sua cabeça em um tanque de nitrogênio líquido a uma temperatura de 196 graus negativos, a criogenia – técnica já amplamente empregada no congelamento de embriões utilizados em fertilização in vitro – passou a ser utilizada também com o intuito de preservar o cadáver humano para uma possível volta à vida no futuro (Ramos; Benedito, 2019). Tratadas pelas clínicas como “pacientes”, as pessoas falecidas e que são submetidas ao processo têm em comum a esperança de que a ciência possa evoluir ao ponto de que, no futuro, o descongelamento de seus corpos traga consigo uma “segunda chance” de vida terrena. Entretanto, essa possibilidade traz consigo vários dilemas bioéticos. Inicialmente fica o questionamento objetivo de quais seriam as consequências clínicas desse procedimento para o corpo humano, quais as possíveis implicações e complicações do procedimento. A partir daí, surgem questionamentos como: A pessoa voltaria à vida em quais condições clínicas? Estaria sujeita aos mesmos riscos trazidos pelo avançar da idade? Seria possível um segundo processo de criogenia? Além disso, questões existenciais também não podem ser desconsideradas: um indivíduo que passou por um processo de criogenia teria uma memória de sua vida anterior? Como seria a sua reinserção em uma sociedade totalmente diferente? Considerações finais: A novidade do tema traz mais perguntas que respostas, entretanto, não há que se falar, com base na evolução científica, em uma possibilidade de vida eterna. O ser humano, até que se prove o contrário, continua nascendo e começando a morrer.
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