Bioética narrativa, cinema e ensino

Vol 1, 2023 - 162489
Resumo
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Introdução: A bioética tem sido tanto uma disciplina quanto um conteúdo presente na formação universitária brasileira, seja em nível de graduação ou pós-graduação lato sensu e stricto sensu. Dessa forma, o interesse no ensino da bioética surge como uma consequência natural dessa preocupação. Vale lembrar que a bioética como área de conhecimento existe há pouco mais do que cinquenta anos, quando assume-se a sua ampla divulgação a partir de seu re-nascimento com Van Rensselaer Potter (1911-2001) e com o Kennedy Institute of Ethics (cf. ZANELLA; SGANZERLA, 2020). A consequência imediata foi a ampla aceitação da bioética como disciplina universitária no contexto internacional, mas também brasileiro. Em contraposição, existe a ausência de um roteiro apropriado para o seu ensino. Isso fez com que surgissem diferentes propostas para o ensino da bioética, e, tendo isso em mente, optamos por escolher a bioética narrativa por trabalhar com o recurso fílmico (cf. MORATALLA; GRANDE, 2020; cf. GRANDE; MORATALLA, 2020), uma vez que o cinema associa diferentes artes, conteúdos e permite, através da transmissão de imagens e falas, que os indivíduos experimentem sentimentos diversos, cumprindo papel de entretenimento, disseminação da informação e reflexão crítica sobre o cotidiano. Objetivo: Assim, almeja-se o estudo da bioética narrativa como fundamentação do uso de filmes como estratégias de ensino da bioética. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa segundo a abordagem, explicativa e descritiva segundo os objetivos e bibliográfica segundo os procedimentos, desenvolvida a partir da conceituação de narrativa aplicada ao contexto do cinema, a partir da leitura, análise e interpretação de fontes bibliográficas. Resultados e discussão: O conceito de bioética re-nasceu nos Estados Unidos da América no final da década de 1960 e início da década de 1970. É fruto de vários acontecimentos culturais, sociais e científicos, os quais levaram o oncologista estadunidense Van Rensselaer Potter (1911-2001) a ter um olhar mais atento à forma como a ciência progredia. Potter desenvolveu uma preocupação com relação aos avanços científicos, pois criou uma relação entre ciência e sabedoria prática (cf. ZANELLA; SGANZERLA, 2020). Já no contexto do Kennedy Institute of Ethics, a bioética adquiriu características diferentes, recebendo uma abordagem mais clínica e sendo reduzida ao campo das ciências biomédicas, como afirmam Tom J. Beauchamp e James F. Childress, “a ética biomédica, ou bioética” (2013, p. vi). Essa visão reducionista da bioética tornou-se a abordagem dominante, contribuiu muito com sua divulgação em todo o mundo e auxíliou na formação de muitas diretrizes sobre ética em pesquisa. Considerações finais: Com isso, a narração fílmica cumpre importante desfecho ao possibilitar uma vivência duplicada da nossa realidade, vemos aquilo transmitido na tela e fazemos um paralelo com o que acontece no cotidiano. Há o favorecimento, mediante a ficção, da reflexão sobre a nossa existência temporal, os aspectos do ser humano, as formas como nos relacionamos e como podemos aprimorar o convívio social mediante atitudes altruístas. O cinema beneficia uma compreensão ampliada sobre o mundo e se torna uma ferramenta para reflexão crítica (cf. GRANDE; MORATALLA, 2020).

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Instituições
  • 1 Universidade Franciscana (UFN)
  • 2 Área de Ciências Humanas / Curso de Filosofia / Universidade Franciscana (UFN)
Eixo Temático
  • 2. Bioética e educação
Palavras-chave
educação bioética; bioética narrativa; formação ética; narração fílmica; ensino de bioética