Avaliação de vulnerabilidade em participantes de pesquisa clínica.

Vol 1, 2023 - 164881
Resumo
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Resumo

Introdução: Os debates éticos em pesquisa frequentemente se baseiam na abordagem Principialista do Relatório Belmont, centrada no respeito à autonomia. Os participantes de pesquisas clínicas exercem sua tomada de decisão voluntária e autônoma por meio do processo de consentimento. Entretanto, nenhum indivíduo está “totalmente livre de influências externas, com a família ou a comunidade moral a qual pertence”, e o “princípio do consentimento envolveria mais do que a simples obtenção da permissão do paciente para intervir em seu corpo e, ainda, pode envolver diferentes contextos e valores conflitantes”. Em adição temos a máxima que, o princípio de respeito à autonomia “requer mais que a obrigação de não intervenção em assuntos pessoais, porque inclui a obrigação de manter a capacidade de escolha autônoma em pessoas que estejam com receios e outras condições que debilitam ou interrompam a ação autônoma”. O processo de consentimento é debatido e avaliado, mas é crucial avaliar o contexto em que os futuros participantes estão inseridos. Esses contextos vão de alguma forma influenciar a tomada de decisão e podem demonstrar a inserção das vulnerabilidades. Objetivo: Propõe-se usar a taxonomia de Kenneth Kipnis para avaliar e mitigar as vulnerabilidades que podem afetar a autonomia, considerando características específicas da população estudada. Método: Realizou-se um estudo de caso com 352 participantes de pesquisas clínicas em um centro oncológico. Foram analisados prontuários, reunindo informações socioeconômicas e de acesso a serviços de saúde. Foi analisado as características da população estudada e correlacionado com as 07 vulnerabilidades descritas por Kipnis. Resultados e Discussão: Observou-se que alguns desses dados nos apontam possíveis situações em que essas vulnerabilidades possam ser identificadas, e verificamos ocorrência das vulnerabilidades médica, deferente, alocacional e Infraestrutural. Os resultados mostraram conexões entre as características da população e as vulnerabilidades. Por exemplo, 86,08% dos participantes com metástases consentiram para pesquisa clínica, revelando a vulnerabilidade médica. A vulnerabilidade deferente foi observada em aproximadamente 28% da população com baixa escolaridade e 15% de idosos. As vulnerabilidades alocacional e social também se mostraram interligadas, sugerindo dificuldades de acesso a cuidados de saúde. Outra vulnerabilidade identificada foi a infraestrutural, com a terapêutica padrão ouro disponível apenas por meio de pesquisa clínica.
Considerações finais: A vulnerabilidade médica é discutida como condição essencial à humanidade, mas pode resultar em exclusões injustas. Reconhecer a finitude dos participantes é crucial para oferecer cuidado adequado. A abordagem Principialista do Relatório Belmont, aliada à perspectiva de Kenneth Kipnis, oferece base ética sólida para o processo de consentimento em pesquisas clínicas. O estudo de caso ilustra sua aplicabilidade, destacando associações entre características da população e vulnerabilidades. Ao reconhecer e mitigar essas vulnerabilidades, é possível promover pesquisa ética e respeitosa.

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Instituições
  • 1 Instituto Nacional de Cancer
  • 2 PPGBIOS / Núcleo de Bioética e Ética Aplicada / Universidade Federal do Rio de Janeiro
Eixo Temático
  • 4. Ética em pesquisa e integridade científica
Palavras-chave
Pesquisa Clínica; Doença Avançada; vulnerabilidade