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Introdução: Numa época em que as barreiras entre humanos e animais não humanos se tornam cada vez mais fluidas nos deparamos com dilemas éticos e comportamentais advindos da convivência cada vez mais próxima com animais de estimação ou Pets. No centro desse intrincado diálogo bioético advindo da relação entre espécies emerge o conceito de antropomorfismo, que se trata de atribuir ou impor características humanas a animais, coisas, divindades ou sistemas de inteligência artificial. Objetivo: Nosso objetivo é refletir sobre o conceito de antropomorfismo na relação de animais de estimação e apontar possíveis impactos na relação entre pets e humanos. Método: A presente pesquisa se trata de uma revisão bibliográfica do tipo exploratória a partir de fontes secundárias advindas do Google Acadêmico e outras fontes. Nesse sentido, analisamos artigos e sites da internet de fontes confiáveis que lançam luz sobre a relação entre animais humanos e animais não humanos de estimação. Resultados: Nossas investigações mostram que a humanização de animais não humanos é um problema que vem ganhando crescente relevância e interesse acadêmico no âmbito da bioética animal. O antropomorfismo é um fenômeno cada vez mais frequente nas chamadas famílias multiespécie onde os pets são constantemente considerados e tratados como membros da família (DIAS E BELCHIOR, 2019), o que de forma exacerbada pode ser prejudicial ao animal. De acordo com o filósofo alemão Hans Jonas devemos agir de forma consciente e ética para com o meio ambiente e para com as gerações futuras buscando a coexistência com os seres que nos cercam de forma equilibrada e responsável (JONAS, 2006). Desse modo, atribuir valores humanos à outros seres, alterando seu comportamento natural, pode implicar em consequências indesejáveis para todos. Discussão: Charles Darwin em 1871 relacionou a mente humana e dos demais animais quanto à capacidade de expressar emoções e habilidades, destacando que a diferença se encontra no grau e não nos tipos de habilidades mentais (Darwin, 1859, 1871, 1872). Considerando que os animais possuem comportamentos semelhantes aos humanos, estudos de Grama et al. (2019) revelaram que o antropomorfismo exagerado pode causar estresse em pets podendo roubar sua essência e naturalidade. Conforme a Associação Brasileira da Indústria de produtos para Animais de Estimação – ABINPET, a procura mercadológica por roupas e acessórios para pets vem crescendo nos últimos anos e apenas o Brasil, segundo lugar no ranking global para animais pets, faturou em meados de 2019 R$35,4 bilhões, que representa 0,36% do PIB nacional. De acordo com a Associação a relação entre humanos e pets é vantajosa emocional, social e economicamente tanto para a família multiespécie quando para a indústria e comércio. Considerações finais: Nesse sentido, percebemos um linha tênue entre a garantia do bem estar dos animais de companhia e do antropomorfismo exacerbado, uma vez que esse último pode levar a maus tratos a animais e a distorção de nossa compreensão das reais necessidades a partir da natureza de outras espécies, necessitando de mais pesquisas para determinar o equilíbrio entre a proteção e o antropomorfismo irresponsável.
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