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Desde a primeira década do século XXI, várias empresas tem desenvolvido uma nova forma de produção e intervenção na paisagem por meio do design e instalação de árvores sintéticas capazes de suportar sistemas de internet móvel e telefonia celular, assim como trabalhar a reabilitação de paisagens degradadas por infraestruturas diversas (STROMBERG. 2015). Este é um exemplo dentre as várias formas contemporâneas de produção da paisagem metropolitana contemporânea. Se a paisagem é uma interface que media nossa relação com a natureza (SANTOS, 1997) e celulares são extensões do nosso ser físico (MCLUHAN, 1971), sugerimos que as infraestruturas de internet móvel camufladas em árvores sintéticas são um exemplo dentre as diversas formas que temos de nos relacionar com a natureza no século XXI (SANTOS, 1997). Solà-Morales (2003) nos mostra como esta mediação ao longo da história, dada por um artefato artístico/tecnológico, tem descrito nossa relação com a natureza. Somando-se a esta reflexão, Milton Santos (1997), nos mostra que nos relacionamos com a natureza transformando-a continuamente, sendo a cidade uma adição ao natural, em constante mutação, um prolongamento da terra, uma prótese ou acréscimo à própria natureza. Para Santos (1997), paisagem é um instrumento para se observar e analisar criticamente as transformações da metrópole contemporânea por meio da dialética paisagem e espaço. A paisagem é resultado do movimento superficial e de fundo da sociedade (SANTOS, 1997), aspecto momentâneo, resultado de significados contidos na profundidade e na densidade do espaço. São percepções momentâneas de significados ambientais, políticos, econômicos, culturais, artísticos, etc. E se estamos falando de uma sociedade que vive intensamente conectada, em rede, logo estamos falando da metrópole (SOLÀ- MORALES, 2003).
Este trabalho busca evidenciar os movimentos de superfície e de fundo da metrópole que as próteses contemporâneas à natureza e extensões do ser físico tem resultado. A paisagem metropolitana no cone sul é nosso objeto de estudo. Apoiado pelo método analítico dialético proposto por Milton Santos (1997) que nos permite separar os aspectos dos significados da paisagem, fazemos uma análise direcionado à sustentabilidade. Logo temos um enfoque ambiental no nosso estudo. Voltamos então a forma de nos relacionarmos com a natureza, desta vez, nos localizando em um lugar onde podemos perceber a dimensão da sustentabilidade. Inseridos no ambiente artístico/tecnológico contemporâneo, caminhamos para uma descrição da paisagem contemporânea onde a tecnologia da informação e comunicação é o principal condicionante da produção da cidade contemporânea. Como resultado, verificamos novas formas de descrever a paisagem, formas que vão além da natureza domesticada dos jardins, da pintura, da fotografia e do cinema, caminhando para as ecologias de algoritmos que se alimentam dos desejos da sociedade intensamente conectada, em rede e que transformam continuamente, numa velocidade antes nunca experimentada, a paisagem da metrópole.
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